Instagram Atrasou Reconhecimento de Menores, Admite Zuckerberg
Em um depoimento histórico, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, admitiu que o Instagram demorou a priorizar a identificação de usuários menores de idade. Segundo ele, apenas em 2019 o aplicativo começou a exigir a data de nascimento de novos perfis, com a checagem expandida para todos os usuários em 2021. “Adicionamos novas ferramentas de detecção ao longo dos anos, mas acho que poderíamos ter chegado a esse ponto mais cedo”, declarou Zuckerberg, reconhecendo uma falha na proteção de crianças e adolescentes nas plataformas da empresa.
Redes Sociais: Produto Desejado ou Causa de Vício?
O chefe da Meta refutou a ideia de que o Instagram cause vício, argumentando que a plataforma é simplesmente um produto que as pessoas desejam usar cada vez mais devido ao seu valor percebido. Essa linha de defesa ecoa a de Adam Mosseri, diretor-executivo do Instagram, que atribui o uso excessivo a “uso problemático” individual, e não a uma “dependência clínica”. Zuckerberg também negou que a empresa busque intencionalmente aumentar o tempo de tela dos usuários, apesar de advogados terem apresentado e-mails de 2014 e 2015 que supostamente indicavam planos para aumentar o engajamento em dois dígitos. O executivo minimizou esses documentos como meras “referências internas”, não metas concretas.
Meta Contesta Ligação entre Redes Sociais e Danos Mentais
Em sua declaração inicial, a Meta se posicionou firmemente contra a alegação de que suas redes sociais causaram danos mentais à autora do processo. A empresa argumenta que os problemas de saúde mental da jovem foram desencadeados por abuso e conflitos familiares, e que o vício em redes sociais sequer era um tema abordado em suas sessões de terapia durante a adolescência. Essa defesa busca desvincular a responsabilidade da empresa sobre o bem-estar psicológico dos usuários.
Advogados Acusam Redes de Serem “Cassinos Digitais”
Por outro lado, Mark Lanier, advogado que representa a vítima, apresentou uma visão contundente, comparando as redes sociais a “cassinos digitais” que lucram com comportamentos aditivos. Ele citou documentos internos da Meta e do Google que, segundo ele, comparam as tecnologias empregadas nas plataformas com táticas utilizadas na indústria de apostas, do tabaco e de drogas. O caso em questão gira em torno de uma jovem de 20 anos que alega ter sofrido danos mentais decorrentes de dependência em redes sociais, iniciada precocemente com o uso do YouTube aos seis anos e do Instagram aos nove.