Executivos da Meta expressaram receios sobre criptografia
Executivos de alto escalão da Meta, incluindo a chefe de política de conteúdo, Monika Bickert, alertaram internamente sobre os riscos de implementar a criptografia de ponta a ponta no Messenger, considerando o plano “muito irresponsável”. Documentos obtidos em uma ação movida pelo procurador-geral do Novo México, Raul Torrez, revelam que os executivos de segurança e política da empresa viam com apreensão a medida, que foi anunciada em 2019 e posteriormente expandida para o Instagram.
Risco para segurança infantil e combate ao terrorismo
As preocupações internas, divulgadas na sexta-feira, detalham como a empresa avaliou o impacto da encriptação. Bickert, em troca de e-mails, expressou sua falta de interesse em “ajudar a vender” a ideia de Zuckerberg, argumentando que a criptografia de ponta a ponta impossibilitaria a detecção e o encaminhamento de planos de ataques terroristas ou casos de exploração infantil às autoridades. Um documento interno estimou que, com o Messenger criptografado, as denúncias de nudez infantil e exploração sexual ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) dos EUA poderiam cair de 18,4 milhões para 6,4 milhões, uma redução de 65%.
Impacto na investigação de crimes
A Meta teria sido incapaz de fornecer proativamente dados às autoridades policiais em centenas de casos de exploração infantil, 1.454 casos de sextorsão, 152 casos de terrorismo e 9 ameaças de tiroteios em escolas, caso o Messenger já estivesse totalmente criptografado na época. Essa informação surge em um contexto onde a empresa enfrenta diversos processos e ameaças regulatórias globais relacionadas ao bem-estar de jovens usuários, incluindo alegações de que seus produtos prejudicam a saúde mental de adolescentes.
Meta afirma ter desenvolvido recursos de segurança adicionais
Em resposta às preocupações levantadas em 2019 por Bickert e Antigone Davis, diretora global de segurança da Meta, a empresa afirma ter desenvolvido recursos de segurança adicionais para funcionar em chats criptografados. Um porta-voz da Meta, Andy Stone, declarou que esses recursos visam detectar e prevenir abusos. Embora as mensagens sejam criptografadas por padrão, os usuários ainda podem denunciar conteúdos questionáveis para análise e possível encaminhamento às autoridades. A empresa também implementou contas especiais para menores de idade, que impedem o contato iniciado por adultos desconhecidos.