A administração de Donald Trump nomeou Darren Beattie, uma figura conservadora e notório crítico do governo brasileiro e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, como o principal assessor encarregado de articular políticas para o Brasil. A informação, confirmada por fontes com conhecimento do assunto à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (27), sugere uma possível escalada de atritos nas relações bilaterais entre os dois países.
Quem é Darren Beattie?
Beattie já possuía um papel no governo republicano como subsecretário de Estado para a Diplomacia Pública e Assuntos Públicos dos EUA e foi recentemente selecionado para presidir o Instituto Donald J. Trump para a Paz. Sua nova função, mais diretamente ligada ao Brasil, confere-lhe uma influência considerável na formulação da política externa americana para a nação sul-americana.
As Críticas a Alexandre de Moraes
No ano passado, Darren Beattie utilizou seu perfil na plataforma X para tecer comentários incisivos sobre as sanções econômicas impostas pelo Departamento do Tesouro ao Instituto Lex de Estudos Jurídicos, associado ao ministro Alexandre de Moraes, e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes, diretora do instituto. Na ocasião, ele afirmou que Moraes é o “coração pulsante” de um complexo de perseguição e censura no Brasil, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro seria uma das vítimas. Beattie chegou a se referir ao magistrado como um “violador de direitos humanos” em suas publicações.
Encontros com a Direita Brasileira
Ainda no ano passado, o assessor de Trump se encontrou com importantes figuras da direita brasileira nos Estados Unidos, incluindo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo. O próprio Figueiredo confirmou um desses encontros em suas redes sociais, compartilhando uma foto e agradecendo a Beattie e ao Conselheiro Sênior Ricardo Pita por autorizarem o registro como um “gesto público de amizade”, destacando a proximidade com setores conservadores brasileiros.
A nomeação de Beattie para um cargo tão sensível pode intensificar as tensões diplomáticas, especialmente considerando suas posições abertamente críticas a figuras e instituições-chave do Brasil, sinalizando um período de maior escrutínio e potencial confronto entre as administrações.