O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi declarado morto neste sábado (28), segundo informações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Khamenei, que Trump classificou como “uma das pessoas mais perversas da História”, teria sido alvo de um ataque americano e israelense. A notícia, no entanto, foi contestada mais cedo pelo Ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que afirmou que o líder supremo estaria “vivo”, “até onde se sabe”. Autoridades israelenses também haviam sinalizado a possibilidade de terem matado outras figuras iranianas, como o ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour.

Donald Trump declarou que a morte de Khamenei representa “a maior oportunidade” para que o povo iraniano retome o controle do país, chegando a afirmar que membros da Guarda Revolucionária e forças de segurança estariam buscando imunidade junto aos Estados Unidos.

O Homem Mais Poderoso do Irã

Ali Khamenei era a figura mais poderosa do Irã, ocupando a posição de líder supremo por 35 anos, o que o tornava o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio. Sua autoridade era máxima nos âmbitos político, religioso e militar. Ele ascendeu ao poder com a instauração do regime dos aiatolás após a Revolução Islâmica de 1979.

Os aiatolás são líderes muçulmanos xiitas de alto escalão, mestres em jurisprudência islâmica, teologia e filosofia, que se tornaram as autoridades máximas no Irã. Após protestos em 1979, eles orquestraram um movimento popular que culminou na derrubada da monarquia iraniana, liderada pelo Xá Reza Pahlavi. Desde então, o Irã, antes aliado dos Estados Unidos, adotou uma postura anti-Ocidente e anti-Israel, implementando mudanças internas que resultaram na supressão de direitos humanos, especialmente os das mulheres e de opositores políticos.

A Ascensão e a Manobra pelo Poder

O primeiro líder supremo do Irã foi Ruhollah Khomeini, que liderou a oposição conservadora ao regime de Pahlavi a partir do exílio. Khomeini, mentor de Khamenei, chamava Washington e Israel de “grande e pequeno satã”, respectivamente, devido ao apoio à monarquia iraniana derrubada.

Nascido em Mashhad, no leste do Irã, Ali Khamenei iniciou seus estudos religiosos e políticos na década de 1960, sendo fortemente influenciado pelo pensamento radical de Khomeini. Em 1980, Khomeini escolheu Khamenei para ser imã da tradicional oração de sexta-feira em Teerã. No ano seguinte, foi eleito presidente do país, o segundo cargo mais importante, em uma eleição considerada de fachada. Aos 42 anos, tornou-se o primeiro clérigo a assumir a presidência.

Em 1989, com a morte de Khomeini, Khamenei foi escolhido como novo líder supremo pela Assembleia dos Peritos. Apesar de não cumprir todos os requisitos para o cargo na época — ele não tinha o grau de marja, concedido a aiatolás com competência para emitir decisões sobre a lei islâmica —, o órgão realizou uma manobra para alterar a Constituição e permitir sua ascensão.

Legado Anti-Ocidente e Conflitos Regionais

Desde sua posse, Khamenei manteve a postura anti-Ocidente e anti-Israel, herdada de seu antecessor. Essa política se manifestou através do patrocínio a grupos como o Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel, e pela promoção do programa nuclear iraniano, visto como uma ameaça por países ocidentais e um dos motivos que levaram aos recentes ataques de Israel contra o Irã.

A Divisão de Poder no Regime Iraniano

No regime dos aiatolás, todas as instituições dos três poderes são mediadas por órgãos que visam manter a conexão entre Estado e Religião. O líder supremo retém as decisões militares e políticas mais importantes do país. A estrutura de poder é composta por:

  • Líder Supremo: Cargo vitalício, chefe de Estado, figura religiosa máxima e comandante-chefe das Forças Armadas. Responsável por segurança, defesa e política externa.
  • Presidente: Segundo cargo de maior autoridade, com mandato de quatro anos. Seu poder é limitado pelos clérigos e pelo líder supremo, focando principalmente na política interna e economia.
  • Conselho dos Guardiões: Composto por 12 membros (seis clérigos e seis juristas), é a organização de maior poder. Avalia e ratifica projetos de lei do Parlamento, com poder de veto para medidas que contrariem a Constituição e a lei islâmica.
  • Guarda Revolucionária (IRGC): Força militar paralela de elite, criada durante a revolução, que atua interna e externamente e responde diretamente ao líder supremo.
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