Avanços tecnológicos prometem um futuro onde a inteligência artificial (IA) e a robótica libertariam os humanos de trabalhos repetitivos, elevando-os a funções mais sofisticadas. Contudo, a realidade tem se mostrado diferente, criando um cenário onde novas e, por vezes, inusitadas tarefas surgem para compensar as limitações das máquinas.
Este é o paradoxo da automação: enquanto algumas funções são eliminadas, outras, aparentemente triviais, são criadas. Um exemplo marcante é o surgimento da função de ‘babá de robô’ e do ‘fechador de portas’ de carros autônomos, um trabalho que pode render R$ 127 por intervenção.
A Contradição da Automação: Novas Funções Imprevistas
A Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet (controladora do Google), ilustra bem essa contradição. Por questões de segurança, seus veículos não se movem se uma porta estiver apenas encostada.
Sem um motorista humano para alertar o passageiro, a solução encontrada pela Waymo é pagar pessoas para irem até o local e fecharem a porta do carro.
Essa tarefa, aparentemente simples, é remunerada em US$ 24, o que corresponde a cerca de R$ 127. Os recrutados são, em grande parte, entregadores que já estão nas ruas, aproveitando parcerias com empresas como DoorDash e Honk.
Além do Volante: O Surgimento da “Babá de Robô”
Outra função surpreendente é a de “babá de robô”. Esses trabalhadores são responsáveis por resgatar robôs entregadores quando eles encontram obstáculos que não conseguem superar.
Isso inclui situações como robôs que caem, travam em calçadas irregulares ou necessitam de assistência. O humano entra em cena para levantar, limpar, carregar ou até mesmo realizar atualizações de software.
Essas funções revelam como a tecnologia, ao mesmo tempo em que substitui o humano em tarefas complexas, o empurra para executar trabalhos de apoio que são muitas vezes precarizados e opacos.
- Fechar portas de carros autônomos.
- Resgatar e manter robôs entregadores.
- Treinar inteligência artificial em momentos ociosos, como motoristas de aplicativo.
A Precarização e o “Bico Dentro do Bico”
A IA conseguiu remover o ser humano do volante, mas o reposicionou como um ‘fechador de portas’ ou um ‘zelador de robôs’. Isso levanta questões sobre a precarização do trabalho e a falta de clareza sobre o papel dessas novas funções no desenvolvimento tecnológico.
Este fenômeno, apelidado de “bico dentro do bico”, também é visto na Uber, que recruta seus motoristas para treinar a inteligência artificial da plataforma enquanto estão parados e sem corridas.
Apesar do surgimento dessas tarefas, especialistas acreditam que elas são provavelmente passageiras. A tendência é que a própria tecnologia evolua para corrigir suas limitações, como desenvolver portas que se fechem automaticamente.
O Futuro do Trabalho com IA: Adaptação e Evolução
Apesar das contradições atuais, a evolução da IA continuará a moldar o mercado de trabalho de formas dinâmicas. A capacidade de adaptação humana será crucial para navegar neste cenário em constante mudança.
É fundamental que se mantenha uma perspectiva crítica sobre as promessas tecnológicas, compreendendo que a transição para um mundo mais automatizado pode gerar desafios e oportunidades inesperadas.
- A adaptabilidade será chave para profissionais no futuro da IA.
- Muitas das novas funções “humanas” de apoio à IA podem ser temporárias.
- A interdependência entre humanos e máquinas é mais complexa do que se imaginava inicialmente.
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