Você confia mais em uma mensagem de WhatsApp do que em uma notícia de jornal? Se sim, você não está sozinho. Uma pesquisa chocante aponta para a autodestruição da imprensa, um fenômeno onde a credibilidade jornalística atingiu seu ponto mais baixo, cedendo espaço a fontes menos tradicionais.
A imprensa que desvendou o Watergate e o Petrolão parece ter ficado no passado. Hoje, a desconfiança é a regra, e os dados confirmam uma crise profunda na relação entre o público e os veículos de comunicação.
O Declínio Chocante da Credibilidade
A Realidade dos Números
A pesquisa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) revela um cenário preocupante. Quase metade dos usuários de internet no Brasil (48%) desconfia mais de informações de veículos jornalísticos.
Esse percentual é superior ao de quem desconfia de aplicativos de mensagens (42%). Até mesmo conteúdos postados por amigos ou familiares em redes sociais inspiram menos desconfiança (39%) do que a grande imprensa.
Uma Queda Recente e Acelerada
A desmoralização dos veículos de comunicação se concentrou em um período relativamente curto. Há apenas uma década, antes do escândalo do Petrolão, a mídia brasileira ainda mantinha uma conduta considerada razoável.
A cobertura da operação Lava Jato, por exemplo, foi inicialmente vista como essencialmente jornalística. No entanto, o cenário começou a mudar drasticamente pouco tempo depois, marcando o início de uma degeneração explícita.
Os Momentos Chave da Degeneração
Pós-Impeachment de Dilma (2016-2018)
O período após o impeachment de Dilma Rousseff coincidiu com o início da crise de credibilidade. Alguns veículos importantes mergulharam em uma “sanha conspiratória”, agindo para desestabilizar a recuperação institucional do país.
Entre 2016 e 2018, grande parte da imprensa promoveu uma campanha disfarçada de jornalismo. Ela tentava empurrar a noção de que o poder central estava nas mãos de uma “quadrilha”, contrariando indicadores públicos de reconstrução nacional.
A “Caricatura” de Donald Trump
Este movimento não foi exclusivo do Brasil. Globalmente, a imprensa tentou “caricaturar” a ascensão de Donald Trump nos EUA, associando-a a uma “falsificação da democracia”.
Histórias foram fabricadas e exaustivamente disseminadas. A tese de que a eleição de 2016 foi manipulada em conluio com a Rússia, por exemplo, jamais foi provada, mas noticiada como verdade por anos.
A Pandemia: O Auge da Manipulação
O período da pandemia representou o auge da degeneração da imprensa. Veículos seculares passaram a bombardear o público com premissas frequentemente desconectadas dos fatos.
Essas premissas, por outro lado, estavam conectadas a “diretrizes obscuras de controle”. Investigações, como as lideradas pelo senador Rand Paul nos EUA, demonstraram essa manipulação.
- Bombardeio com premissas frequentemente desconectadas dos fatos.
- Conexão a diretrizes obscuras de controle, como demonstrado por investigações.
- Manipulação da circulação de informações confessada por gestores de big techs.
O “checagem” de fatos, ou fact-checking, tornou-se uma ferramenta controversa. Veículos tradicionais se uniram a “agências” com credenciais autoconcedidas para perseguir e estigmatizar a livre circulação de informações e opiniões nas redes.
Muitas dessas informações nas redes buscavam justamente contrastar o papel distorcido da grande mídia. Os absurdos se avolumaram, normalizando fraudes graves, como a manipulação admitida pela BBC sobre um discurso de Trump, às vésperas da eleição de 2024.
- Perseguição e estigmatização da livre circulação de informações e opiniões.
- Tentativa de silenciar conteúdos que contrastavam a narrativa da grande mídia.
- Normalização de fraudes graves, como a manipulação de discursos por emissoras renomadas.
Conclusão: Um Caminho Auto-Imposto
A pesquisa brasileira não surpreende. A desmoralização da imprensa foi um processo ativo, cavado ostensivamente pelas próprias ações dos veículos de comunicação ao longo dos últimos anos.
Para recuperar a confiança, a imprensa precisará de uma profunda reflexão e uma mudança radical em suas práticas. Somente assim poderá reaver seu papel crucial na sociedade democrática.
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