O cenário da inteligência artificial está em constante evolução, e uma figura proeminente está redefinindo as regras do jogo. Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI, surpreende o mercado ao lançar o primeiro modelo de IA de sua nova empresa, a Thinking Machines Lab, com uma base inusitada: tecnologia chinesa.
Este movimento não apenas destaca a ascensão dos laboratórios de IA da China, mas também aponta para uma nova estratégia de desenvolvimento. O objetivo é oferecer uma IA mais acessível e personalizável, desafiando os gigantes estabelecidos do setor.
O Inkling: Inovação com Raízes Orientais
O modelo de base da Thinking Machines Lab, batizado de Inkling, inspira-se diretamente na arquitetura do DeepSeek-V3 da China. Além disso, seu refinamento em pós-treinamento utilizou dados gerados pelo Kimi K2.5, da chinesa Moonshot AI.
Esta abordagem estratégica de usar “tecnologia chinesa barata” ocorre em um momento crucial. Laboratórios de IA chineses têm superado rivais americanos em modelos de uso geral este ano, conforme dados da plataforma OpenRouter.
Os principais laboratórios americanos frequentemente expressam preocupação com a cópia de seus modelos. Práticas como a destilação, onde as saídas de um modelo maior treinam um menor, são um ponto de atrito.
Embora o Inkling fique abaixo de produtos líderes da Anthropic e da OpenAI em benchmarks iniciais, sua proposta de valor reside em outro aspecto fundamental.
Principais Características do Modelo Inkling:
- Arquitetura Inspirada: Baseada no DeepSeek-V3 da China.
- Refinamento de Dados: Utiliza dados gerados pelo Kimi K2.5 da Moonshot AI.
- Pesos Abertos: Usuários podem hospedar e ajustar o modelo em seus próprios servidores.
- Foco na Personalização: Permite que a IA seja moldada para usos específicos.
A Estratégia dos Pesos Abertos e Personalização
A grande diferenciação do Inkling é ser um modelo de pesos abertos. Isso significa que, ao contrário de modelos como ChatGPT e Claude, os usuários terão a liberdade de hospedá-lo em seus próprios servidores.
Essa flexibilidade permite que o modelo seja ajustado e adaptado para usos específicos, promovendo uma maior personalização. A empresa declara: “Hoje estamos avançando em nossa missão ao lançar um modelo que treinamos do zero com os pesos completos disponíveis, para que as pessoas possam torná-lo seu.”
A Thinking Machines Lab argumenta que a maioria das ferramentas de IA atuais é “treinada em um punhado de lugares e depois congelada”. Sua visão é de IAs “tão diversas e distribuídas quanto as próprias pessoas”, estendendo a vontade e o julgamento humanos.
Para clientes corporativos, a startup oferece a plataforma Tinker. Essa ferramenta permite ajustar e personalizar grandes modelos de linguagem para aplicações específicas de negócios.
Mira Murati e o Desafio da Thinking Machines
Mira Murati, conhecida por seu papel no desenvolvimento do ChatGPT, Dall-E e o modo de voz da OpenAI, fundou a Thinking Machines em fevereiro de 2025. Sua saída da OpenAI ocorreu em setembro de 2024, após ter um papel de destaque na breve destituição de Sam Altman em novembro de 2023.
A startup atraiu grande atenção, fechando uma rodada de investimento inicial de US$ 2 bilhões. Sua avaliação pós-aporte atingiu a marca de US$ 12 bilhões, com apoio de pesos-pesados como Andreessen Horowitz, Nvidia, AMD e o fundo de hedge Jane Street.
Apesar do sucesso inicial em captação, a empresa enfrentou desafios, como a saída de funcionários seniores para a Meta e OpenAI, gerando questionamentos sobre a liderança de Murati.
Diferenciais da Thinking Machines Lab:
- Liderança Experiente: Fundada por Mira Murati, ex-CTO da OpenAI.
- Financiamento Robusto: US$ 2 bilhões em investimento inicial.
- Foco em Modelos Abertos: Permite personalização e hospedagem própria.
- Plataforma Tinker: Solução para ajuste de LLMs corporativos.
- Modelos de Interação: Desenvolvimento de IAs que respondem a áudio e vídeo, não apenas texto.
Além do Inkling, a Thinking Machines também busca inovar com “modelos de interação”. Em maio, a startup apresentou uma prévia de uma IA capaz de executar ações com base em entradas de áudio e vídeo dos usuários, expandindo as possibilidades de colaboração entre humanos e máquinas.
Com sua abordagem de pesos abertos e a exploração de tecnologia chinesa, a Thinking Machines Lab de Mira Murati não apenas se posiciona como um novo player, mas como um catalisador para uma nova era de IA mais democrática e adaptável.