Pacientes Recorrem à IA para Orientações Médicas
A inteligência artificial (IA) avança em diversas áreas, e a medicina não é exceção. Pacientes, como um jovem diagnosticado com um tumor na perna, têm buscado respostas e orientações em chatbots como o ChatGPT. No entanto, em um caso relatado por um médico residente na Turquia, o bot forneceu informações incorretas, gerando pânico e ansiedade desnecessários ao prever uma sobrevida de apenas cinco anos, diagnóstico posteriormente desmentido por um cirurgião. Em outra ocasião, o mesmo paciente, após iniciar uma tosse devido ao tabagismo recente, foi informado pelo ChatGPT de que poderia ser metástase pulmonar, levando-o a crer que precisava escrever um testamento, sendo que seus pulmões estavam, na verdade, bem.
Apps de Saúde com IA: Promessas e Perigos
Além dos chatbots, um número crescente de aplicativos com IA tem surgido nas lojas virtuais, prometendo auxiliar os usuários em questões de saúde. Alguns, como o “Eureka Health: AI Doctor”, auto-intitulavam-se “companheiros de saúde pessoal completos”, com alegações de “perguntar, diagnosticar e tratar”, chegando a conectar usuários a prescrições e exames. Apesar de avisos sobre não serem ferramentas de diagnóstico, desenvolvedores como o da Eureka Health ultrapassaram os limites, com um site que promovia “Torne-se seu próprio médico”. A Apple, após ser contatada pela Reuters, removeu o aplicativo de sua loja. Em outro caso, o “AI Dermatologist: Skin Scanner” afirmava ter a mesma precisão de um dermatologista profissional e oferecia avaliações de risco instantâneas a partir de fotos de lesões de pele. No entanto, usuários relataram imprecisões graves, com um deles recebendo diagnósticos de alto risco de câncer para um tumor benigno, e outro apresentando um caso de melanoma diagnosticado e removido cirurgicamente como “benigno” pelo aplicativo.
Precisão Questionável e Preocupações Médicas
O aplicativo AI Dermatologist, que se gabava de mais de 97% de precisão, recebeu centenas de avaliações negativas, com usuários alegando imprecisões e potenciais perigos. Um analista de suporte técnico em Nova Jersey relatou ter recebido seis resultados indicando um risco de 75% a 95% de ser cancerígeno para um pequeno tumor em seu braço, mas um dermatologista confirmou que a lesão não parecia problemática. A desenvolvedora, Acina, com sede na Lituânia, afirmou que o aplicativo visa oferecer uma análise preliminar para incentivar consultas médicas, mas admitiu que “falsos positivos podem ocorrer em qualquer sistema de IA”. A Apple e o Google inicialmente removeram o aplicativo de suas lojas devido a reclamações e funcionalidades enganosas. O Google chegou a restabelecê-lo após a Acina esclarecer que o app não é um dispositivo médico, mas a Apple o removeu novamente, citando a falta de autorização regulatória para fornecer diagnósticos ou conselhos de tratamento.
Especialistas Alertam para os Riscos
Médicos e especialistas em IA expressam preocupação com a proliferação desses aplicativos. Rachel Draelos, médica e consultora em saúde com IA, destaca a dificuldade em identificar corretamente doenças de pele e a improbabilidade de que tais aplicativos possuam conjuntos de dados abrangentes o suficiente para cobrir todas as milhares de condições existentes. A principal preocupação é que esses aplicativos, mesmo com avisos, levem os pacientes a adiar consultas médicas essenciais, confiando em diagnósticos potencialmente imprecisos e perigosos, especialmente em áreas complexas como a dermatologia.