Regime chavista descarta eleições imediatas na Venezuela
Líder chavista afirma que prioridade é a ‘estabilidade’ e a ‘reconciliação’ do país.
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que não há previsão de eleições presidenciais imediatas no país. Segundo o líder chavista, a prioridade do regime é garantir a “estabilidade” e a “reconciliação” da Venezuela em um momento de transição política. A declaração foi feita em entrevista à emissora americana Newsmax, a primeira concedida por um líder chavista a um veículo internacional este ano.
Possibilidade de eleições atrelada à estabilização e acordo com a oposição
Rodríguez indicou que um pleito presidencial poderia ocorrer caso haja avanços na “estabilização nacional” e um “acordo com todos os setores da oposição”. Ao ser questionado sobre a líder opositora María Corina Machado, o parlamentar mencionou uma lei de anistia em tramitação na Assembleia para presos políticos detidos desde 1999. O objetivo, segundo ele, é promover o retorno de “todos os setores da oposição no exterior” ao país, desde que cumpram a legislação.
Abertura para investimentos estrangeiros e nova relação com os EUA
A entrevista também abordou a indústria petrolífera venezuelana, que o regime chavista está abrindo para investimentos estrangeiros, com foco especial nos Estados Unidos. Rodríguez reconheceu as “dificuldades sob o bloqueio” e admitiu “alguns erros” cometidos pelo regime, mas classificou o momento atual como uma “oportunidade de ouro” para “avançar e promover saúde, educação e cultura através de uma economia de livre mercado”. O líder chavista expressou otimismo quanto à relação com a gestão do ex-presidente Donald Trump, afirmando que “nos últimos 33 dias as coisas avançaram muito rápido” e que existe a chance de construir uma relação de “benefício mútuo”.
Mudanças pós-captura de Maduro e expectativas da oposição
Desde a captura do ditador Nicolás Maduro e a posse de Delcy Rodríguez como ditadora interina, a Venezuela tem implementado mudanças significativas. Entre elas, a reforma da lei de hidrocarbonetos para permitir investimento americano, a retomada da comercialização de petróleo sob tutela econômica dos EUA e a libertação de centenas de presos políticos. Essas ações geram expectativa entre organizações civis e a oposição sobre o alcance real da “reconciliação” e o impacto econômico da nova fase nas relações entre Caracas e Washington.