Irã confirma novas negociações nucleares com os EUA em Genebra

O Irã confirmou a realização de uma segunda rodada de negociações sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos, marcada para esta terça-feira em Genebra. A notícia surge após especulações da imprensa americana, e o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Majid Takht-Ravanchi, declarou à BBC que “a bola está no campo dos EUA” e que um acordo é possível se ambos os lados demonstrarem sinceridade.

Foco na questão nuclear e sanções

Takht-Ravanchi enfatizou que, para alcançar um acordo, o foco deve permanecer na questão nuclear. Ele descartou a exigência americana de “enriquecimento zero” no Irã, mas reiterou a disposição de Teerã em “examinar compromissos” sobre seu programa nuclear, desde que os EUA também iniciem conversas para a suspensão das sanções. O enriquecimento de urânio a 60% é considerado pelo Irã uma “linha vermelha” e uma violação de seus direitos sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Urânio enriquecido e mísseis balísticos em pauta

Sobre a possibilidade de retirar do país o urânio enriquecido a 60%, o diplomata iraniano afirmou que “ainda é cedo para dizer o que acontecerá no decorrer das negociações”. Anteriormente, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, sugeriu que Teerã poderia diluir o urânio enriquecido se os EUA suspendessem todas as sanções. Takht-Ravanchi também reiterou a oposição do Irã em dialogar sobre seu programa de mísseis balísticos, considerando-o parte de sua capacidade defensiva.

Contexto de pressão e diplomacia

As negociações ocorrem em um contexto de pressão, com o presidente dos EUA, Donald Trump, tendo mencionado a mudança de regime no Irã como a “melhor coisa que poderia acontecer” e anunciado o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio. Apesar das ameaças, Trump tem preferido a via diplomática. Irã e EUA retomaram as negociações indiretas em 6 de fevereiro, com mediação de Omã, classificando o encontro como “bom” e agendando novas reuniões, apesar das divergências sobre o programa de mísseis e o apoio iraniano a grupos regionais.

Benefícios econômicos propostos pelo Irã

Em outra frente, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano para a Diplomacia, Hamid Ghanbari, sugeriu que, para garantir a sustentabilidade de um acordo, os EUA deveriam se beneficiar de setores econômicos iranianos de alto rendimento. Ele mencionou áreas como petróleo e gás, investimentos em mineração e a compra de aeronaves americanas pelo Irã, além da liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior, que deveriam ser “reais e utilizáveis”.

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