Tecnologia de Ponta em Ação
Os Jogos Olímpicos deste ano estão testemunhando uma revolução na cobertura esportiva com o uso intensivo de drones FPV (First Person View). Quinze unidades personalizadas, cada uma pesando menos de 250 gramas e avaliada em cerca de 15.000 euros (US$ 18.000), estão elevando a experiência de transmissão a um novo patamar. Equipados com câmeras conectadas a óculos especiais, os pilotos comandam essas máquinas voadoras com precisão cirúrgica, visualizando em tempo real cada manobra e paisagem.
Thomas De Koster, um engenheiro holandês de 27 anos, explica que a montagem desses drones é um processo meticuloso. “Não é como um carro, que você compra completo. Você compra um chassi de uma pessoa, um motor de outra e, então, monta o que melhor se adapta ao seu objetivo”, relatou à Reuters. Essa customização é crucial para atender às demandas específicas de cada modalidade olímpica.
O Desafio da Transmissão ao Vivo
A principal característica e, ao mesmo tempo, o maior risco para os pilotos de drones FPV é a filmagem ao vivo. Sem margem para erros, cada tomada precisa ser perfeita na primeira tentativa. “As filmagens precisam ser realmente boas na primeira vez… Precisamos ser muito precisos”, enfatiza Alejandro Petrakovsky, operador de drones argentino de 36 anos que integra a equipe em Cortina.
Embora drones já tenham sido utilizados em edições anteriores dos Jogos, como em Paris 2024, é nesta edição que sua presença se tornou tão proeminente. Em esportes de deslizamento, como o bobsleigh e o luge, os drones chegam a voar a poucos centímetros dos competidores, capturando imagens espetaculares e intensas.
Treinamento Intensivo e Segurança em Primeiro Lugar
Para garantir que as filmagens não interfiram no desempenho dos atletas, os pilotos de drones FPV passaram por semanas de treinamento intensivo. Eles percorreram as pistas até 60 vezes por dia, familiarizando-se com cada curva e inclinação. “Embora agora eu já conheça a pista, toda vez que mergulho nela ainda preciso estar totalmente concentrado — sem distrações, sem piscar, nada. Apenas seguir em frente e manter o foco”, descreve Ralph Hogenbirk, piloto FPV de 35 anos responsável pelas modalidades de luge, skeleton e bobsleigh.
A segurança é a prioridade máxima. “A segurança está sempre em primeiro lugar. Portanto, se tiver alguma dúvida, não vou fazer a curva”, garante Hogenbirk, demonstrando o compromisso com a integridade dos atletas.
Recepção e Debate em Torno dos Drones
A habilidade dos pilotos em controlar os drones em altas velocidades tem sido amplamente elogiada. No entanto, o ruído gerado pelos equipamentos tem suscitado reações mistas entre espectadores e atletas. Alguns consideram o som perturbador, enquanto outros, como Hogenbirk, argumentam que ele se torna parte da experiência da transmissão, especialmente em esportes de alta velocidade onde o som desaparece rapidamente.
Atletas como a esquiadora canadense Laurianne Desmarais e a snowboarder austríaca Anna Gasser relatam que, embora o ruído possa ser notado inicialmente, ele se torna secundário durante a competição. “Assim que ouço ‘3, 2, 1, vai!’, bloqueio tudo e fica tudo bem”, comentou Desmarais. Gasser acrescentou que os atletas de esportes de neve estão acostumados com a presença constante de câmeras em locais inusitados, e muitos usam fones de ouvido, minimizando o impacto sonoro.