Tensão diplomática entre França e EUA após morte de ativista
O assassinato do ativista de direita Quentin Deranque, de 23 anos, por militantes de extrema-esquerda na França, no início deste mês, gerou um desentendimento diplomático entre Washington e o governo do presidente Emmanuel Macron. A situação escalou após a embaixada dos Estados Unidos em Paris republicar uma declaração do Departamento de Estado americano sobre o incidente, o que levou o Ministério das Relações Exteriores francês a convocar o embaixador americano, Charles Kushner, para explicações.
Detalhes do assassinato e acusações
Deranque faleceu em decorrência de graves lesões cerebrais sofridas durante uma agressão por militantes de extrema-esquerda, ocorrida à margem de um evento estudantil na cidade de Lyon. Até o momento, sete indivíduos foram formalmente acusados pelo crime. Entre os acusados está um assessor parlamentar ligado ao partido de esquerda França Insubmissa (La France Insoumise – LFI).
Declaração americana e reação francesa
Na semana passada, o Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA divulgou uma mensagem na rede social X, afirmando que relatos, corroborados pelo ministro do Interior francês, indicavam que Deranque havia sido vítima de militantes de esquerda. A publicação alertava para a “ascensão do radicalismo violento de esquerda” como uma ameaça à segurança pública e expressava a expectativa de que os responsáveis fossem levados à justiça francesa. A Embaixada dos EUA em Paris republicou essa mensagem em francês, uma ação que foi interpretada pelo governo Macron como uma interferência nos debates políticos internos do país.
Consequências diplomáticas e resolução
Em resposta, o chanceler francês Jean-Noël Barrot convocou o embaixador Kushner. Contudo, o embaixador não compareceu à convocação, o que motivou o Ministério das Relações Exteriores francês a anunciar que ele estaria temporariamente impedido de ter acesso direto a membros do governo até que apresentasse justificativas para sua ausência. Segundo o ministério, a não presença do embaixador representou uma falha em cumprir as “expectativas básicas” da função diplomática. Posteriormente, de acordo com a embaixada americana, Kushner e Barrot mantiveram uma conversa telefônica descrita como “franca e cordial”, na qual reafirmaram o compromisso de cooperação entre os dois países. Fontes diplomáticas francesas relataram à imprensa americana que o embaixador expressou o desejo de “não interferir” no debate público francês.