O futebol argentino vive um momento de paralisação e alta tensão. A Associação de Futebol Argentino (AFA) decidiu suspender a 9ª rodada do Torneio Apertura da Liga Profissional, prevista para o início de março, em uma clara demonstração de protesto. A medida é uma resposta a uma investigação da Receita Federal argentina (Arca) sobre uma suposta retenção ilegal de contribuições previdenciárias e outros impostos, estimada em mais de 19,3 bilhões de pesos (cerca de R$ 70 milhões) entre 2024 e 2025. A AFA nega veementemente as acusações, afirmando não possuir dívidas fiscais.
A Origem do Conflito: A Proposta da SAF
O embate atual é o mais recente capítulo de uma batalha que se arrasta há mais de um ano entre a AFA e o governo de Javier Milei. O ponto central do desentendimento reside na intenção do governo de implementar o modelo de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) no país, um sistema já adotado no Brasil. Atualmente, os clubes argentinos operam como associações sem fins lucrativos, e a proposta de Milei, que visa desregulamentar a economia, permitiria que eles se transformassem em empresas com investidores. Essa mudança foi categoricamente rejeitada pela AFA e pela maioria dos clubes, que alertam para riscos na gestão do futebol nacional. Em dezembro de 2023, Milei assinou um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que incluía essa possibilidade, além de prever um aumento significativo nas contribuições previdenciárias do setor, passando de 7,5% para 18,62% sobre as receitas, gerando fortes protestos.
Escalada Judicial e Fim dos Benefícios Fiscais
A disputa não demorou a chegar aos tribunais. Posteriormente, a Justiça argentina suspendeu trechos do decreto presidencial, incluindo a parte que permitiria a transformação dos times em SAF. Em resposta, o governo Milei anunciou o fim de benefícios fiscais para os clubes, uma medida que aumentou os custos operacionais das entidades. A retórica do embate se intensificou e, em um período anterior, investigações resultaram em buscas policiais na sede da AFA e em clubes, sob suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo patrocinadores. Na ocasião, a AFA classificou as ações como tendo