Proposta de Reestruturação
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e candidato apoiado pelo presidente argentino Javier Milei para chefiar a Organização das Nações Unidas (ONU), defende uma profunda reestruturação da entidade. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Grossi afirmou que a ONU precisa reduzir a sobreposição de funções entre seus diversos órgãos e cortar o excesso de burocracia para recuperar sua eficácia e credibilidade internacional. A visão do candidato é por uma organização mais enxuta, mas paradoxalmente mais forte e ágil na resposta a crises globais.
Críticas à Burocracia Existente
Grossi apontou para um “burocratismo inegável” dentro do sistema multilateral, onde múltiplos organismos frequentemente abordam os mesmos temas. Essa redundância, segundo ele, compromete a coordenação e a clareza de direção da ONU. A proposta de reorganização não se limita a cortes de recursos, mas foca na consolidação de mandatos e na definição mais precisa de prioridades, visando otimizar o funcionamento da organização.
Momento Decisivo para a ONU
O candidato ressaltou que a disputa pela Secretaria-Geral da ONU ocorre em um dos momentos mais críticos da história da organização. O aumento dos conflitos internacionais e o ceticismo de alguns países quanto à sua relevância exigem ações para restaurar a credibilidade institucional. Grossi enfatizou a necessidade de fortalecer o diálogo com as potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, que desempenham um papel crucial no financiamento e na operacionalização da ONU, representando mais de 22% do orçamento da entidade.
Apoio e Trajetória Diplomática
Ao abordar o apoio do governo argentino à sua candidatura, Grossi não o negou, explicando que a indicação oficial parte de seu país, conforme os procedimentos de escolha. No entanto, ele se apresentou como um “funcionário internacional independente”, com uma carreira diplomática de 40 anos. Grossi pode enfrentar a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que conta com o apoio de governos de esquerda, incluindo o Brasil. Quanto ao possível apoio de Donald Trump, Grossi considerou “arrogante” afirmar isso, mas reiterou o desejo de contar com o respaldo dos Estados Unidos e de outras nações decisivas no processo.