Diretor do Instagram se defende em tribunal
Adam Mosseri, CEO do Instagram, rejeitou nesta quarta-feira (11) a alegação de que as redes sociais causam “dependência clínica”, preferindo o termo “uso problemático”. A declaração ocorreu durante um julgamento histórico em Los Angeles, que investiga se plataformas como Instagram e YouTube foram intencionalmente projetadas para viciar crianças. A Meta, empresa-mãe do Instagram e Facebook, e o YouTube, pertencente ao Google, enfrentam acusações de que suas plataformas visam capturar a atenção dos usuários para benefício próprio.
Diferenciação entre vício e uso problemático
Ao ser questionado pelo advogado da parte demandante, Mark Lanier, Mosseri explicou sua visão: “É importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático”. Ele exemplificou com o hábito de maratonar séries, afirmando que, embora possa ser um uso excessivo, não se equipara a uma dependência clínica. Lanier, no entanto, contestou a fala de Mosseri, ressaltando que ele não possui formação em medicina ou psicologia. O CEO da Meta respondeu que nunca alegou ter capacidade para diagnosticar dependência.
Negócio versus segurança dos usuários
O julgamento, centrado na denúncia de uma jovem de 20 anos que alega ter sofrido danos mentais graves devido ao uso de redes sociais desde a infância, aborda o conceito de dependência como ponto chave. A defesa da Meta, representada por Paul Schmidt, argumentou que a deterioração psicológica da demandante se deveu a problemas familiares. Mosseri, o primeiro executivo de alto escalão do Vale do Silício a depor no caso, também negou que a Meta priorize lucros em detrimento da segurança de seus usuários, afirmando que “proteger os menores a longo prazo é bom até mesmo para os negócios e para os lucros”.
Filtros de beleza e concorrência com o TikTok
Confrontado com e-mails internos, Mosseri defendeu a decisão de Mark Zuckerberg de permitir filtros de alteração estética no Instagram em 2020, apesar das preocupações de outros diretores sobre os efeitos em jovens. Ele explicou que a decisão foi tomada para não perder espaço no mercado diante da crescente concorrência com o TikTok, buscando um equilíbrio entre proteção e censura. O julgamento, que deve durar até 20 de março, foca nos algoritmos e funções de personalização das plataformas, acusados de fomentar a visualização compulsiva, e não nos riscos de saúde mental associados ao conteúdo.