Aumento nas exportações russas para Ásia e América do Sul
As exportações de petróleo e diesel da Rússia para China e Brasil, respectivamente, registraram um crescimento significativo em janeiro. A China elevou suas importações de petróleo russo por via marítima para mais de 1,5 milhão de barris por dia, um aumento considerável em relação aos 1,1 milhão de barris diários de dezembro. Deste total, 405 mil barris diários foram de petróleo Urals, a principal mistura de exportação russa, atingindo o maior nível desde 2023, segundo dados da consultoria Kpler.
Essa parceria energética entre Rússia e China foi descrita pelo presidente russo Vladimir Putin como “estratégica”. Desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, a China já adquiriu mais de US$ 230 bilhões em petróleo e gás russos, gerando questionamentos éticos sobre o financiamento da agressão militar.
Brasil volta a importar diesel russo em volume expressivo
O Brasil também se encontra em uma posição de destaque como importador de diesel russo. Após uma queda nas importações no segundo semestre de 2025, atribuída a ataques ucranianos a refinarias russas que impactaram a produção, as compras brasileiras do produto russo voltaram a crescer em janeiro. Foram importados em média 151 mil barris por dia, o maior volume desde junho do ano passado e um aumento expressivo em relação aos cerca de 58 mil barris diários de dezembro.
Pressão dos EUA e a busca por mercados alternativos
O crescimento nas vendas para China e Brasil é um alívio para a Rússia, que tem enfrentado pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que outros países reduzam ou cessem a compra de sua energia. Trump tem utilizado sanções e tarifas como ferramenta para forçar Moscou a negociar um cessar-fogo na Ucrânia.
A Índia, por exemplo, que no ano passado chegou a ter suas exportações para os EUA sobretaxadas em 50% por comprar petróleo russo, reduziu suas importações em janeiro para menos de 1 milhão de barris por dia, ante uma média de 1,3 milhão no ano anterior. A Turquia também diminuiu suas importações de petróleo Urals em janeiro, registrando cerca de 250 mil barris por dia.
Fatores econômicos e operacionais impulsionam as compras
Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, aponta que, embora existam contornos ideológicos, a razão principal para o aumento das importações de petróleo e diesel russos pela China e Brasil é eminentemente econômica e operacional. Desde 2022, a Rússia tem oferecido descontos agressivos em seus produtos para compensar a perda de mercado na Europa.
“No caso da China, existe um componente estratégico de segurança energética e diversificação, mas a decisão é pragmática: compra o barril que melhora margem e abastecimento. Ela compra para se ajudar (preço e logística), embora o efeito colateral seja sustentar receita russa”, explicou Melo. “No Brasil, o fator é ainda mais prosaico: diesel barato, disponível e no timing certo. Em janeiro, importações de diesel russo voltaram a ganhar espaço por competitividade frente a outras origens, inclusive os Estados Unidos. Lembrando que ideologia não move caminhão, mas diesel move”, complementou a especialista.
Melo alerta que países que continuam como grandes compradores de energia russa, como a China, correm o risco de sofrer novas tarifas dos Estados Unidos. Para o Brasil, o risco é menor, mas não inexistente, podendo ser usado como pressão e sinalização por parte dos EUA.