Um comitê do Congresso dos Estados Unidos está investigando as operações da China no Brasil e em outros países da América Latina, alertando sobre o uso de infraestrutura espacial para avançar capacidades militares e de coleta de informações de Pequim. A investigação, conduzida pelo Comitê Seleto sobre a China da Câmara dos Representantes dos EUA, aponta o Brasil como um dos alvos dessas atividades.

A Preocupação de Washington com a Influência Chinesa

O presidente do comitê, o deputado republicano John Moolenaar, expressou durante um encontro parlamentar a necessidade de os EUA e seus aliados impedirem a expansão dessas operações. “O presidente Trump agiu de forma decisiva para confrontar a influência maligna da China no Hemisfério Ocidental, e nossos aliados devem agir prontamente de acordo com as recomendações deste relatório e impedir a expansão da infraestrutura espacial chinesa”, declarou Moolenaar.

Segundo a investigação, a China desenvolveu uma extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios de uso duplo na América Latina. Essa rede é utilizada para coletar informações e aumentar a capacidade bélica do Exército Popular de Libertação (PLA). O comitê identificou pelo menos onze instalações espaciais ligadas à China, localizadas na Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e, notavelmente, no Brasil.

Brasil no Centro da Investigação Americana

O relatório detalha duas instalações específicas no Brasil. Uma delas é a Estação Terrestre Tucano, estabelecida em 2020 por meio de uma joint venture entre a startup brasileira Ayla Nanosatellites, fundada na Bahia, e a empresa chinesa Beijing Tianlyan Space Technology. O documento ressalta que a localização exata da base é desconhecida.

Outro ponto de investigação é o Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil. Este laboratório foi estabelecido em 2025 (data futura mencionada no relatório) após um acordo entre o Instituto de Pesquisa em Comunicação da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e a Universidade Federal de Campina Grande, juntamente com a Universidade Federal da Paraíba. O acordo formaliza a colaboração bilateral em pesquisa avançada de radioastronomia, tecnologias de observação do espaço profundo e planejamento de projetos científicos de grande escala, conforme um trecho da investigação.

Recomendações para Conter a Expansão de Pequim

Diante das descobertas, o grupo investigativo propôs diversas recomendações. Entre elas, os EUA devem promover novos acordos por meio da NASA, a agência espacial americana, com os países onde há presença chinesa. Além disso, as agências americanas são aconselhadas a reavaliar a cooperação espacial, de defesa e de tecnologia avançada com esses países. Por fim, o governo americano deve trabalhar para eliminar a influência de Pequim em nações do hemisfério ocidental, visando proteger a segurança regional e global.

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