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O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (05/03/2024) o presidente interino do país, o conservador José Jerí, após apenas quatro meses no cargo e a menos de dois meses das eleições gerais. Jerí foi acusado de tráfico de influência por supostamente ter realizado encontros fora da agenda oficial com um empresário chinês, segundo informações da CNN. Esta decisão marca a oitava mudança presidencial no Peru em menos de uma década, refletindo a profunda instabilidade política que assola o país desde as eleições de 2016.

Moção de Censura Aprovada em Meio a Debate sobre Procedimento

A destituição de Jerí ocorreu por meio de uma moção de censura, que exigia a maioria simples dos parlamentares presentes, desde que houvesse quórum. A moção recebeu 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções. A defesa do agora ex-presidente argumentou que o processo deveria ter sido um impeachment, que requer uma supermaioria de 87 votos, mas declarou respeito à decisão do Congresso. A votação evidencia a fragilidade da governabilidade peruana.

Busca por Novo Presidente Interino Enfrenta Dificuldades

Com a saída de Jerí, cabe agora ao Legislativo peruano eleger um novo presidente interino para completar o mandato atual até a posse do vencedor das eleições gerais, marcadas para 12 de abril. No entanto, a tarefa se mostra complexa. Com a proximidade das eleições e a baixa popularidade dos parlamentares, encontrar um nome que gere consenso é um desafio. Dos 130 congressistas, muitos concorrem às próximas eleições ou enfrentam investigações, o que limita as opções de candidatos viáveis.

Histórico de Instabilidade e Mandatos Interrompidos no Peru

Jerí assumiu a presidência interina após a deposição de Dina Boluarte em outubro de 2025, que, por sua vez, era vice de Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar um autogolpe em 2022. A instabilidade política no Peru não é recente. O mandato de Pedro Paulo Kuczynski (eleito em 2016) terminou com sua renúncia em 2018 devido a um escândalo envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Seu sucessor, Martín Vizcarra, sofreu impeachment em 2020. A sequência de crises culminou em breves governos e na eventual posse de Castillo.

O Legado de Mandatos Incompletos e Investigações de Corrupção

O histórico recente do Peru é marcado por presidentes que não completaram seus mandatos. Ollanta Humala (2011-2016), o último eleito a concluir seu período, está preso por corrupção, assim como seu antecessor Alejandro Toledo (2006-2011). A esposa de Humala, Nadine Heredia, também foi condenada na “versão peruana” da Operação Lava Jato e buscou asilo no Brasil, refugiando-se na embaixada brasileira em Lima.

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