Detenção de Influenciadores Digitais em Holguín

Dois criadores de conteúdo cubanos, Ernesto Ricardo Medina e Kamil Zayas Pérez, foram detidos pelas autoridades de Cuba sob a acusação de “propaganda contra a ordem constitucional”. Os influenciadores, que integram o projeto audiovisual independente El4tico e possuem milhares de seguidores, utilizam suas plataformas digitais para expor as dificuldades enfrentadas pela população da ilha, em meio à pior crise econômica em décadas.

Acusações Formais e Resposta do Ministério Público

Segundo um comunicado oficial da Procuradoria de Holguín, Medina e Zayas estariam “incitando o povo, os membros das Forças Armadas Revolucionárias e o Ministério do Interior a mudar a ordem constitucional da República de Cuba; e difamam as ações das instituições políticas e sociais do país”. O Ministério Público cubano informou que os procedimentos investigativos estão em andamento para a coleta de provas e conclusão do processo, enquanto os criadores de conteúdo permanecem detidos.

Repressão e Confisco de Equipamentos

Organizações de direitos humanos relatam que agentes estatais invadiram as residências dos influenciadores no bairro de Piedra Blanca, confiscando computadores, telefones, câmeras e outros materiais essenciais para o trabalho jornalístico independente. A prisão e a apreensão de equipamentos são vistas como uma tentativa de silenciar vozes críticas que questionam as políticas socialistas implementadas pelo governo cubano e que expõem a escassez generalizada de alimentos, medicamentos e energia na ilha.

Repercussão Internacional e Condições de Detenção

As prisões geraram condenação por parte do Departamento de Estado dos EUA, através do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Organizações de direitos humanos e a Associação Interamericana de Imprensa (AIAP) também se manifestaram sobre o caso. Os detidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Criminal de Holguín, local conhecido por denúncias de tortura, interrogatórios violentos e tratamento degradante. O governo de Miguel Díaz-Canel, por sua vez, nega a existência de presos políticos e acusa a oposição de ser mercenária a serviço dos Estados Unidos.

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