Cuba em Crise Profunda: EUA Intensificam Pressão e Regime Busca Diálogo em Meio a Colapso Energético e Social
Ilha caribenha enfrenta a pior catástrofe socioeconômica desde 1959, com apagões recordes, racionamento severo e moeda em queda livre, enquanto aliados como China e Rússia enviam ajuda cautelosamente.
Em meio a uma escalada de pressão dos Estados Unidos, Cuba se encontra imersa em uma crise sem precedentes, que o governo americano ameaça intensificar. O regime cubano, que em janeiro anunciou medidas para um “estado de guerra”, agora adota um tom mais brando, buscando “diálogo” com Washington. A ilha sofre com cancelamentos de voos, apagões que chegam a 20 horas diárias, racionamento extremo de combustível e uma moeda local em queda livre, cotada a 500 pesos cubanos por dólar americano.
Estratégia de “Guerra de Todo o Povo” em Xeque
A estratégia de resistência cubana, baseada no conceito de “Guerra de Todo o Povo” promovido por Fidel Castro na década de 1980, que prevê a mobilização geral da população, encontra pouco eco nas ruas. A vida na ilha está praticamente paralisada, com restrições severas ao transporte público e suspensão de contratos de trabalho. A crescente pressão americana sobre o setor energético, incluindo a ameaça de tarifas a países fornecedores de petróleo, já afetou o turismo, um dos últimos pilares da economia cubana.
A Pior Crise Desde a Revolução de 1959
Robert Huish, professor associado de Estudos de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Dalhousie, no Canadá, descreve a situação atual como uma das piores catástrofes sociais e econômicas desde a Revolução de 1959. Apesar da gravidade, ele pondera que a crise inédita pode não ser suficiente para derrubar o regime. Huish relembra as diversas armas econômicas utilizadas pelos EUA desde os anos 1960, como a Lei Helms-Burton, que punia empresas estrangeiras que negociassem com Cuba, e ressalta que o regime já sobreviveu a momentos difíceis, como a Crise dos Mísseis de 1962 e o colapso da União Soviética, que causou uma contração de 35% no PIB cubano.
Colapso Generalizado e Dependência Externa
O que distingue a crise atual é o colapso generalizado de sistemas essenciais como energia, trabalho, saúde e alimentação. O corte no fornecimento de combustível, exacerbado pela captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, elevou drasticamente a crise, uma vez que o petróleo é vital para o funcionamento do país. Havana consegue suprir apenas 40% de sua produção interna de energia. A escassez de alimentos básicos, que antes durava cerca de 10 dias por mês através de um cartão de racionamento, agora se tornou generalizada nos armazéns de distribuição.
Apoio Cauteloso de Aliados Internacionais
Diante do cenário desolador, aliados de Cuba demonstram apoio, mas com cautela. A China reafirmou seu apoio político e condenou as “ações desumanas” contra o povo cubano, instando Washington a “pôr fim imediatamente ao bloqueio”. Pequim enviou ajuda alimentar, incluindo 90 mil toneladas de arroz, e uma linha de assistência financeira emergencial de US$ 80 milhões, além de US$ 100 milhões em ajuda concedidos em 2024. A Rússia sinalizou o envio de “ajuda humanitária”, incluindo suprimentos de petróleo, o que pode gerar novos atritos com os EUA. Moscou, no entanto, suspendeu voos para Cuba após a evacuação de turistas retidos devido à crise energética, ao mesmo tempo em que minimiza as relações comerciais com os EUA e os acusa de “práticas neocoloniais”.