Um Legado em Glasgow, Esquecido nos EUA
A Universidade de Glasgow, com seus 575 anos de história, abriga edifícios que homenageiam nomes ilustres. Um deles, o Edifício James McCune Smith, evoca a memória do primeiro médico negro dos Estados Unidos. Essa homenagem, motivada pela curiosidade de um estudante, revela a trajetória de um dos mais importantes intelectuais negros do século XIX, hoje praticamente desconhecido em seu país de origem. Smith não foi apenas um médico, mas um estatístico proeminente, membro fundador da Sociedade de Estatística de Nova York em 1852, que utilizou seus conhecimentos para combater o racismo.
Nascido na Escravidão, Liberto pela Lei
James McCune Smith veio ao mundo em 18 de abril de 1813, em Manhattan, filho de Lavinia, uma mulher escravizada originária da Carolina do Sul, e de um pai branco cujo nome era Samuel. Sua própria liberdade foi conquistada aos 14 anos, com a promulgação da Lei de Emancipação do estado de Nova York. Apesar de sua notável inteligência, suas tentativas de ingressar em universidades americanas foram frustradas por barreiras raciais. O caminho para a educação superior se abriu na Escócia, com o apoio de benfeitores abolicionistas.
Excelência Acadêmica na Escócia
Em 1832, Smith iniciou seus estudos na Universidade de Glasgow, onde demonstrou brilhantismo. Concluiu o bacharelado em 1835, o mestrado no ano seguinte e, em 1837, obteve seu doutorado em medicina. Essa formação acadêmica sólida em solo escocês foi o alicerce para seu retorno a Nova York no mesmo ano.
Ativismo e Ciência em Nova York
Ao retornar aos Estados Unidos, James McCune Smith dedicou 20 anos de sua carreira ao Orfanato para Crianças Negras de Manhattan, publicando artigos científicos relevantes. Casou-se com Malvina Barnett, com quem teve onze filhos. Paralelamente à sua prática médica, Smith foi uma figura proeminente no movimento abolicionista. Integrou o Comitê dos Treze, que oferecia proteção a escravos fugitivos, e foi um dos fundadores do Conselho Nacional das Pessoas de Cor em 1853. Suas palestras e escritos, embasados em medicina e estatística, foram ferramentas poderosas na desconstrução de preconceitos raciais. Smith faleceu em 17 de novembro de 1865, pouco antes da abolição oficial da escravidão nos EUA com a ratificação da 13ª Emenda.