Cooperação Bilateral em Foco
O Brasil foi classificado como um “parceiro estratégico” pelos Estados Unidos no que diz respeito à construção de cadeias de suprimentos críticas, especialmente no setor de elementos de terras raras. A declaração foi feita pelo secretário adjunto do Departamento de Estado dos EUA para Assuntos Econômicos, Energia e Negócios, Caleb Orr, em entrevista coletiva online. Orr destacou o interesse americano em financiar projetos de terras raras no Brasil, mencionando especificamente duas iniciativas em Goiás focadas em elementos de terras raras pesadas.
Investimentos e Projetos em Goiás
A mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, já firmou um acordo com a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) para um investimento de US$ 565 milhões, com possibilidade de participação minoritária americana. Outra empresa, a Aclara Resources, especializada em terras raras pesadas, também recebeu apoio da DFC no ano passado para o desenvolvimento do “projeto Carina”, em Nova Roma, Goiás, com um financiamento de até US$ 5 milhões para estudos de viabilidade técnica.
O “Projeto Vault” e a Estratégia Americana
A participação do Brasil em uma reunião ministerial sobre minerais críticos em Washington, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi vista como um “sinal positivo” pelos EUA. O encontro faz parte do “Projeto Vault”, iniciativa do presidente Donald Trump para criar um estoque nacional de terras raras e outros minerais críticos. O objetivo é diminuir a dependência dos EUA em relação à China e garantir o suprimento para setores vitais como defesa, tecnologia e indústria automotiva. O plano americano pode envolver investimentos de até US$ 12 bilhões.
Brasil Avalia Participação Formal
O Brasil, que detém a segunda maior reserva global de terras raras, atrás apenas da China, participou da reunião em Washington, mas ainda está avaliando se integrará formalmente à iniciativa liderada pelos EUA. O tema deve ser discutido em um futuro encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma reunião, a Argentina assinou um acordo de cooperação com Washington sobre minerais críticos, enquanto Japão, União Europeia e México também estiveram presentes.