EUA avalia cenário venezuelano pós-Maduro
O governo dos Estados Unidos considera que a Venezuela ainda não atingiu o patamar necessário para a realização de eleições livres e justas. Segundo o Secretário de Estado americano, Antony Blinken, o país encontra-se em uma fase de transição e estabilização que, na visão de Washington, ainda não criou as condições políticas e civis indispensáveis para um pleito democrático e com ampla participação legítima. As declarações foram feitas durante uma cúpula da Comunidade do Caribe (Caricom), em São Cristóvão e Nevis.
Obstáculos para um pleito democrático
Ao ser questionado sobre um possível cronograma eleitoral para a Venezuela, Blinken afirmou que a Casa Branca não pretende estabelecer um “prazo artificial”, destacando os entraves atuais. “É difícil realizar eleições em que muitas das pessoas que desejam participar estão presas ou ainda estão no exterior”, declarou o secretário. Ele ressaltou que, apesar da ausência de caos após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, como muitos previam, o país ainda não demonstra normalidade institucional.
Condições essenciais para eleições
Blinken detalhou que a realização de eleições demanda um conjunto de fatores, incluindo a formação de partidos e movimentos políticos, um ambiente midiático que permita a livre circulação de ideias e a possibilidade de candidatura para todos os interessados. “Muitas das pessoas que estavam na prisão estavam lá porque eram candidatas ou porque apoiavam candidatos ou porque estavam envolvidas na política”, explicou, defendendo a reconstrução de uma “sociedade civil e política real” como pré-condição para um processo eleitoral legítimo.
Sinais de mudança, mas insuficientes
O Secretário de Estado americano citou como medidas positivas em curso na Venezuela a libertação de presos políticos, o fechamento da prisão de El Helicoide e a aprovação da lei de anistia pela Assembleia Nacional. Para Blinken, essas iniciativas representam sinais concretos de mudança institucional, embora limitados. “Não são suficientes, mas são positivas”, afirmou, sustentando que essas ações começam a estabelecer condições mínimas para a reorganização da vida política e civil no país. Por outro lado, a ONG Foro Penal estima que mais de 600 pessoas ainda estejam presas por motivos políticos, enquanto o regime venezuelano nega a existência de presos políticos.