Cientistas Sul-Coreanas Utilizam Focas para Monitorar Mudanças Climáticas na Antártida
Em meio às paisagens gélidas e imponentes da Antártida, uma equipe de cientistas sul-coreanas está empregando uma estratégia inovadora e surpreendente para coletar dados vitais sobre o oceano: focas-de-Weddell. Ji-Yeon Cheon e Hyunjae Chung, doutorandas da Universidade Nacional de Seul, estão na vanguarda desta pesquisa, marcando focas com dispositivos tecnológicos para monitorar as condições do Mar de Amundsen, especialmente na região da geleira Thwaites.
Tecnologia e Biologia em Harmonia para a Ciência
O processo envolve uma abordagem cuidadosa e estratégica. Utilizando helicópteros para aproximar as focas de uma área central do gelo marinho, as cientistas, com o auxílio de dardos sedativos ou seringas, acoplam dispositivos do tamanho de um bolso em suas cabeças. Esses aparelhos, que pesam cerca de 600 gramas e possuem uma antena, registram movimentos e propriedades da água, transmitindo as informações por satélite quando as focas emergem. A tecnologia é projetada para permanecer nos animais até a próxima troca de pelo, no verão seguinte.
A Importância dos Dados Coletados pelas Focas
Os dados coletados pelas focas são de valor inestimável, especialmente durante o inverno antártico, quando o gelo marinho espesso torna o continente inacessível por navios. As focas-de-Weddell, capazes de mergulhar a profundidades de até mil metros, fornecem medições em áreas que seriam de difícil acesso para os pesquisadores. Lars Boehme, especialista em tecnologia transportada por animais da Universidade de St. Andrews, na Escócia, destaca que os dados das focas evoluíram de “motivo de piada” para uma fonte essencial na oceanografia, sendo cruciais para a compreensão do oceano e do clima global.
Desafios e Emoções na Pesquisa de Campo
A marcação das focas, embora essencial, apresenta desafios. O procedimento exige precisão para garantir a segurança tanto dos animais quanto dos cientistas. As focas não são marcadas se forem filhotes, fêmeas amamentando ou indivíduos que pareçam grandes demais para o procedimento. Os pesquisadores devem monitorar a recuperação do animal por pelo menos 40 minutos após a aplicação do sedativo. Apesar do risco e do estresse envolvido, a proximidade com esses mamíferos proporciona uma conexão única, como relata Yixi Zheng, pesquisadora do British Antarctic Survey, que descreve a sensação de tocar em algo quente e macio em contraste com a frieza da Antártida, e a percepção de semelhança mamífera.
Impacto do Aquecimento Oceânico no Ecossistema Antártico
Cheon e Chung buscam entender como o aquecimento do oceano afeta o comportamento de mergulho e a busca por alimento das focas. A água mais quente, que contribui para o derretimento da geleira Thwaites, também transporta nutrientes essenciais do fundo do mar, impactando a cadeia alimentar local. As mudanças ambientais rápidas no Mar de Amundsen levantam questões sobre a resposta adaptativa das focas-de-Weddell e de outros ecossistemas sob o gelo que derrete, sublinhando a urgência da pesquisa científica na região.