A Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira (19) devido a uma greve geral convocada pelos principais sindicatos do país em repúdio à reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei. A mobilização, que contou com a adesão de 13 sindicatos e a Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), interrompeu grande parte dos transportes, afetou serviços essenciais e deve gerar um prejuízo financeiro estimado em quase US$ 600 milhões, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de fevereiro.
Impacto Generalizado no Transporte e Serviços
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical argentina e organizadora da paralisação, liderou os atos. Jorge Sola, um dos secretários-gerais da CGT, destacou a expressiva adesão à greve, informando que setores fabris com turnos noturnos já haviam aderido desde a noite anterior. A interrupção de trens, aviões, metrôs e a maioria das linhas de ônibus resultou no cancelamento de mais de 400 voos, impactando mais de 64.000 passageiros e cargas, com a Aerolínas Argentinas sozinha cancelando 255 voos. Serviços de saúde pública também registraram interrupções parciais.
O Coração do Protesto: A Reforma Trabalhista
O principal alvo da greve é o projeto de reforma trabalhista que já recebeu aprovação do Senado em 12 de fevereiro, data marcada por confrontos entre manifestantes e a polícia. O texto em debate na Câmara dos Deputados introduz mudanças significativas nas condições de trabalho, como o “salário dinâmico”, o banco de horas e limitações ao direito de greve. Embora o governo tenha retirado o polêmico Artigo 44, que previa a redução de salários durante licenças médicas, a mobilização sindical demonstra a forte oposição à essência da reforma.
Reação Governamental e Estimativa de Prejuízos
Em resposta à paralisação, a Secretaria de Trabalho intimou os trabalhadores do setor de transportes a se absterem de ações de greve. O governo também anunciou que descontará o dia de salário dos funcionários públicos que aderirem à greve, uma medida incomum no país. Uma estimativa preliminar do Instituto de Economia da Universidade Argentina da Empresa (UADE) e fontes do Ministério da Economia aponta que o custo econômico da greve pode atingir cerca de US$ 575 milhões, evidenciando o impacto imediato das tensões sociais na economia argentina.