A ideia de uma guerra cibernética global que paralise infraestruturas e cause trilhões em perdas assombra o imaginário coletivo. Muitos temem que um ataque digital massivo possa desencadear um desastre sem precedentes.
No entanto, segundo o especialista Johansmeyer, essa percepção alarmista pode estar equivocada. Ele sugere que as preocupações atuais são infladas por suposições desatualizadas, não refletindo a realidade dos ataques cibernéticos modernos.
A Realidade dos Ataques Cibernéticos: Menos Catastrófico do que Parece
O Caso NotPetya: Um Precedente Mal Interpretado?
O ataque cibernético NotPetya de 2017, por exemplo, é frequentemente citado como um desastre. Ele causou prejuízos econômicos estimados em US$10 bilhões na época, um valor assustador.
Contudo, Johansmeyer aponta que as perdas seguradas foram de apenas US$300 milhões. Ajustando para os valores atuais, isso seria entre US$1,1 bilhão e US$1,2 bilhão.
“Se esse for o pior dos piores cenários, então temos muito mais com que nos preocupar com granizo no Texas do que com catástrofes cibernéticas”, afirmou ele, minimizando o impacto.
Mesmo cenários extremos, segundo o especialista, provavelmente não passariam de um prejuízo segurado de US$3 bilhões a US$4 bilhões, um valor considerável, mas longe de um apocalipse digital.
A Origem de um Medo Obsoleto
Mitos da Guerra Cibernética: Por Que Nossas Preocupações São Antigas
As preocupações do mercado com a guerra cibernética remontam a um estudo da RAND de 1993. Este, por sua vez, foi influenciado pelo “worm Morris” do final da década de 1980.
Esse período, no entanto, é crucial: a infraestrutura da internet e a atividade econômica online eram então insignificantes. As suposições da época não se aplicam ao cenário atual.
Eventos posteriores demonstraram uma ameaça mais limitada do que os modelos iniciais previam. Veja alguns exemplos:
- Ciberataque à Estônia (2007): Relacionado a uma disputa sobre uma estátua, seu impacto foi contido.
- Invasão russa da Geórgia (2008): As operações cibernéticas acompanharam a invasão, mas não se tornaram o fator determinante.
- Conflito no Oriente Médio (atual): As operações cibernéticas ofensivas não se materializaram em nenhuma escala visível.
“A guerra começou cinética e permaneceu cinética”, disse Johansmeyer. Ele enfatiza que operações cibernéticas não são o meio para manter algo inativo, contrariando a ideia de uma “paralisação digital” em larga escala.
O Mercado de Seguros Cibernéticos em Perspectiva
Entendendo a Dinâmica dos Preços
A atual desaceleração nos preços dos seguros cibernéticos reflete a dinâmica de um mercado de nicho. Ele ainda possui baixa penetração, e não uma tendência estrutural de desvalorização do risco.
Johansmeyer argumenta que certas condições frustraram os compradores e restringiram o crescimento do mercado. Os fluxos de resseguro e de capital retroativo amplificaram esse efeito.
- Aperto nas condições: As seguradoras tornaram as apólices mais rigorosas.
- Ampliação das exclusões: Coberturas foram reduzidas, deixando lacunas.
- Frustração de compradores: A dificuldade em obter cobertura adequada desestimulou.
- Efeito amplificado: O mercado de resseguro e capital retroativo intensificou as restrições.
Em suma, a visão de Johansmeyer nos convida a reavaliar o verdadeiro impacto dos riscos cibernéticos, baseando-nos em dados e eventos recentes, e não em medos de um passado digital distante.
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