A polêmica do uso de IA na escrita ganha nova perspectiva com a análise de chatbots.

O debate sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) na criação de textos ganhou um novo capítulo com a análise de diferentes chatbots sobre uma coluna de Natalia Beauty, publicada na Folha de S.Paulo, que admitia o uso de IA. O jornalista Diogo Cortiz propôs a questão: “O que a IA acha do texto de Natalia Beauty feito por IA?”. Para isso, solicitou a análise de ChatGPT, Gemini, Claude e DeepSeek a partir de um prompt simples: “Faça uma análise crítica do texto abaixo. Descreva em um parágrafo o que achou da argumentação e com quais pontos concorda e discorda.”.

Consenso entre as IAs: Críticas à comparação com tecnologias antigas.

Os resultados revelaram um consenso notável entre as inteligências artificiais: todas criticaram a simplificação excessiva de comparar o uso da IA generativa com inovações tecnológicas anteriores, como a automação de fábricas ou calculadoras. As IAs destacaram que o ineditismo da IA reside justamente em sua capacidade de processar a linguagem e operar na esfera simbólica, com um impacto cognitivo e cultural de magnitude distinta.

O dilema da coautoria e o risco da pasteurização.

Um ponto levantado pelas IAs foi a dificuldade em traçar a linha entre o que seria uma coautoria legítima e o uso preguiçoso da ferramenta. A dúvida sobre a origem das ideias — se originalmente pensadas pela autora ou propostas pela máquina — ilustra a complexidade desse novo cenário. Além disso, as IAs alertaram para o risco de a ferramenta não apenas organizar o pensamento, mas também moldá-lo, levando à produção de conteúdos pasteurizados e à perda da singularidade da voz autoral.

O posicionamento de Cortiz: Uso consciente como ferramenta, não como substituto.

Diogo Cortiz compartilha dessa preocupação, afirmando que não utiliza a IA para iniciar seus textos, a fim de evitar a ancoragem de suas ideias em um rascunho pré-fabricado pela máquina. Ele prefere escrever suas propostas individualmente e, posteriormente, usar a IA como uma “colega de criação”, auxiliando na forma, sugerindo melhorias em parágrafos ou gerando novas ideias a partir de seu pensamento original. Cortiz defende que o uso desleixado e a geração de textos inteiros a partir de prompts preguiçosos configuram fraude intelectual e devem ser combatidos, mas reconhece a dificuldade em definir a régua para traçar a linha entre criação e coautoria.

Opiniões das IAs sobre o texto de Natalia Beauty:

  • ChatGPT: Criticou a redução das críticas ao “medo de novas tecnologias” e a comparação com máquinas industriais, por ignorar a atuação da IA na esfera simbólica e expressiva.
  • Claude: Apontou a analogia com outras ferramentas como “escorregadia”, pois a IA generativa intervém diretamente na linguagem, matéria-prima do colunista.
  • Gemini: Concordou com a responsabilidade final do humano, mas discordou da premissa de que a IA apenas “organiza”, pois a forma molda o conteúdo e pode pasteurizar a voz.
  • DeepSeek: Considerou a defesa “eloquente, porém falaciosa”, minimizando a diferença fundamental da IA como tecnologia linguística e semântica.
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