O Irã encontra-se em um momento de alta tensão, dividindo-se entre a busca por soluções diplomáticas para os atritos com os Estados Unidos e uma preparação acelerada de suas defesas, incluindo instalações nucleares, para um eventual conflito. Essa postura defensiva se intensifica em meio ao posicionamento do maior destacamento militar americano na região em mais de duas décadas.

Exercícios militares e busca por aliados estratégicos

A Guarda Revolucionária iraniana realizou recentemente exercícios militares de grande escala no sul do país e nas ilhas do Golfo Pérsico, mobilizando mísseis, artilharia, drones, forças especiais e veículos blindados, conforme noticiado pela TV estatal. Essa demonstração de força segue uma série de manobras, incluindo exercícios conjuntos com a Rússia no Golfo de Omã, fortalecendo laços com aliados-chave.

Em paralelo, o regime iraniano busca aproximar-se da Rússia e da China, potências que têm evitado um envolvimento direto na crise. Relatos indicam um acordo secreto com Moscou para o fornecimento de milhares de equipamentos militares e negociações avançadas com Pequim para a aquisição de mísseis de cruzeiro antinavio, que poderiam alterar significativamente o cenário de segurança regional.

Diplomacia em impasse e postura de resistência

A escalada militar ocorre em um contexto de negociações infrutíferas entre Irã e EUA. Embora tenha havido acordo sobre “princípios orientadores”, o Irã não teria reconhecido os pontos inegociáveis impostos pelos Estados Unidos, como a revisão do programa nuclear, a interrupção da produção de mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos considerados terroristas.

Teerã tem advertido que, em caso de ataque americano, as consequências se estenderiam para além de suas fronteiras, atingindo aliados regionais dos EUA, como Israel. A retórica iraniana sugere uma estratégia de retaliação ampla, visando dissuadir qualquer agressão.

Reestruturação interna e preparação para o pior cenário

A ameaça de conflito tem provocado mudanças na estrutura de poder interna do Irã. O Conselho Supremo de Segurança Nacional, liderado por Ali Larijani, tem assumido um papel de destaque. Há indicações de que o líder supremo, Ali Khamenei, teria incumbido Larijani de “conduzir o país” em meio à crise, com o veterano militar Ali Shamkhani assumindo a liderança de um recém-criado Conselho de Defesa, focado em tempos de guerra.

Especialistas interpretam essa redistribuição de poder como um sinal de que Khamenei estaria se preparando para um “martírio” ou para um cenário de “secessão” ou guerra, buscando garantir a sobrevivência do regime independentemente do resultado. A reestruturação também envolve a reforma de instalações militares danificadas em conflitos anteriores e o reposicionamento estratégico de mísseis balísticos em suas fronteiras oeste e na costa sul do Golfo Pérsico.

Negociações como “tábua de salvação” e o dilema nuclear

As negociações em curso são vistas como a principal esperança do regime iraniano para evitar um conflito e mitigar o impacto das sanções econômicas. No entanto, um acordo com os EUA implicaria concessões significativas, especialmente em relação ao programa nuclear, que é um pilar da política de dissuasão iraniana.

A análise de especialistas sugere que o Irã pode estar relutante em fazer concessões que comprometam seu legado de desafio às potências ocidentais. A capacidade de infligir danos significativos às forças americanas, caso o conflito se inicie, poderia ser vista como uma forma de manter a mensagem de resistência e consolidar a posição do regime, tanto interna quanto internacionalmente.

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