Cenário de Insegurança Crescente
Em um alerta contundente, os chefes militares do Reino Unido e da Alemanha declararam que a Europa se encontra em um momento de insegurança sem precedentes nas últimas décadas. Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o marechal do ar Sir Richard Knighton (Reino Unido) e o general Carsten Breuer (Alemanha) apontaram que a Rússia alterou drasticamente sua postura militar em direção ao Ocidente. Segundo os comandantes, Moscou está se rearmando de forma acelerada e aprendendo com a guerra na Ucrânia, o que eleva o risco de conflitos com países membros da Otan.
Rearmamento como Garantia de Paz
Diante deste cenário, os líderes militares defenderam um rearmamento amplo da Europa, argumentando que tal medida não é um incitamento à guerra, mas sim uma ação responsável para proteger cidadãos e preservar a paz. “Força dissuade agressão; fraqueza a convida”, afirmaram, rejeitando qualquer complacência. A meta estabelecida na última cúpula da Otan, de destinar 5% do PIB à defesa até 2035, foi destacada como um reflexo da nova realidade estratégica, que exigirá “escolhas difíceis” nos orçamentos públicos.
Fortalecimento da Indústria de Defesa
O artigo enfatiza a necessidade de a indústria de defesa europeia se preparar para uma produção sustentada de munições, sistemas e plataformas militares. A guerra na Ucrânia demonstrou a importância crucial de bases industriais robustas para conflitos prolongados. Exemplos concretos foram citados: o Reino Unido está construindo ao menos seis fábricas de munição, enquanto a Alemanha decidiu estacionar permanentemente uma brigada de combate no flanco leste e alterou sua Constituição para permitir financiamento irrestrito à defesa. A União Europeia também planeja injetar 150 bilhões de euros na iniciativa Segurança para a Europa (Safe) para fortalecer sua indústria bélica.
Defesa Abrangente e Unidade Europeia
Os comandantes defenderam uma abordagem de defesa que envolva toda a sociedade, incluindo infraestrutura resiliente, pesquisa tecnológica e instituições preparadas para operar sob ameaças crescentes. A “complexidade das ameaças exige uma conversa honesta com o público”, ressaltaram. Por fim, reforçaram que a unidade europeia é fundamental para a dissuasão, pois a história demonstra que a paz falha quando adversários percebem “desunião e fraqueza”, um cenário que, na avaliação deles, não pode ser permitido diante da atual postura da Rússia.