Marcelo Zuffo: Existência Humana e PIB Mundial Dependem Crucialmente da Tecnologia de Chips, Diz Especialista da USP

Professor da USP defende que o Brasil retome a produção de semicondutores com mini fábricas flexíveis, criticando a dependência externa e o modelo de ‘megafábricas’.

A afirmação de que a existência humana na Terra e metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial estão intrinsecamente ligados à tecnologia de chips é defendida por Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP e diretor do InovaUSP. Em entrevista ao podcast Deu Tilt, do UOL, Zuffo ressaltou a relação simbiótica entre o ser humano e os semicondutores, essenciais em praticamente todos os aspectos da vida moderna, desde a economia até a resposta a crises globais como a pandemia de COVID-19.

Semicondutores: Motor da Economia e Garantia de Sobrevivência

Zuffo destacou que a tecnologia de chip vai além de impulsionar a economia. Ele argumenta que, sem ela, a humanidade enfrentaria desafios muito maiores. “Imagine a gente enfrentar a pandemia sem chip? Foi graças aos chips que nós conseguimos simular e processar vacinas em tempo real. Se a gente não tivesse essa capacidade, talvez o legado da pandemia seria uma quantidade de humanos mortos dez vezes maior do que hoje”, pontuou.

O Brasil na Corrida dos Chips: Um Histórico Interrompido

O professor relembrou o pioneirismo brasileiro na fabricação de chips, com a criação do primeiro semicondutor nacional em 1971, antes mesmo de países como China e Coreia do Sul. No entanto, crises econômicas e políticas, como a hiperinflação no início dos anos 1980, frearam o desenvolvimento do país, levando a uma dependência significativa de importações. “Eu entrei na USP em 1982 para projetar supercomputador com os nossos chips. Infelizmente, o processo da redemocratização do Brasil foi acompanhado da inflação galopante, e aí a nossa exponencial foi interrompida”, lamentou Zuffo.

A Necessidade de Retomar a Produção Nacional e os Riscos da Dependência

Atualmente, o Brasil gasta anualmente até US$ 50 bilhões na importação de chips, apesar de possuir reservas de silício e terras raras, insumos cruciais para a fabricação. Zuffo considera essa dependência um risco à economia e à soberania nacional. Ele defende a retomada da produção de chips no país, com foco em microfábricas flexíveis, como as PocketFab desenvolvidas na USP. Essas unidades menores seriam mais adequadas à realidade brasileira do que as dispendiosas e ambientalmente complexas “megafábricas”.

PocketFab: A Solução Brasileira para a Soberania Tecnológica

As ‘megafábricas’ de chips, segundo Zuffo, são ambientalmente insustentáveis devido ao alto consumo de água, energia e à geração de resíduos tóxicos, além de serem pouco flexíveis. Em contrapartida, as PocketFab são apresentadas como uma alternativa “barata”, limpa e flexível, capaz de atender às demandas da indústria nacional e reduzir a vulnerabilidade em tempos de “guerra econômica”. “Eu sou de uma vertente de pensamento que acha que essa é uma tecnologia tão importante para a existência da humanidade, que não faz sentido duas ou três corporações no mundo teria um monopólio da tecnologia”, concluiu Zuffo, reforçando que dominar a tecnologia de chips é uma questão de soberania e futuro para o país.

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