A corrida pela inteligência artificial (IA) traz consigo um custo ambiental que nem sempre é evidente. No Brasil, a Microsoft, gigante do setor, inaugurou seus primeiros data centers de IA no interior de São Paulo, em Hortolândia e Sumaré, utilizando uma tecnologia antiga que demanda um consumo significativo de água. Esta escolha contrasta com o compromisso global da empresa de diminuir seu impacto hídrico.

A decisão levanta questões sobre a sustentabilidade da expansão da IA e o equilíbrio entre inovação tecnológica e responsabilidade ambiental. Os novos complexos, essenciais para o funcionamento de sistemas como o ChatGPT, exemplificam o dilema.

A Tecnologia “Sedenta” por Trás da IA da Microsoft no Brasil

Os data centers da Microsoft em São Paulo foram equipados com torres de evaporação. Este sistema de refrigeração funciona dissipando calor através da perda de água por evaporação, o que o torna “sedento” em comparação com modelos mais recentes.

Sistemas modernos, de circulação fechada, são projetados para economizar água, pois o líquido circula sem se perder. Contudo, essas alternativas mais eficientes em termos hídricos tendem a ser mais caras e exigem maior consumo de energia elétrica para resfriamento.

O campus na região metropolitana de Campinas tem um gasto de água estimado em até 3,24 milhões de litros por dia. Esse volume se aproxima do consumo diário de cerca de 15 mil pessoas, conforme documentos de um complexo similar nos EUA.

O Dilema da Sustentabilidade e o Custo da Inovação

A Microsoft informa que espera usar as torres de evaporação em apenas 10% do tempo de operação. Isso ocorreria quando as temperaturas ultrapassassem 29,4 graus Celsius. No entanto, dados do Cepagri da Unicamp mostram que a temperatura máxima diária excedeu esse limiar em 44,48% dos dias nos últimos 30 anos na região.

Com as mudanças climáticas, a tendência é de um aumento ainda maior nos dias quentes. Pesquisadores apontam que as temperaturas médias em Campinas são mais altas que na Virgínia, onde um data center similar serve de base de comparação, indicando que as torres brasileiras podem ficar ativas por mais tempo.

Documentos internos da Microsoft, obtidos pelo The New York Times, revelam uma projeção de que a demanda anual de água da empresa para seus data centers globais pode triplicar até 2030, atingindo 28 bilhões de litros. Este aumento está diretamente ligado à crescente demanda por sistemas de IA.

  • A maioria dos data centers no Brasil ainda utiliza refrigeração a ar, com baixo consumo de água.
  • Chips de IA dissipam mais calor, impulsionando a necessidade de refrigeração líquida.
  • A escolha entre sistemas fechados e evaporativos é uma decisão de design com implicações ambientais.

Impactos Locais e Controvérsias

Apesar do alto consumo de água, a Sabesp, responsável pelo abastecimento em Hortolândia e Sumaré, avaliou os projetos e não identificou risco para o fornecimento local. As licenças ambientais também foram concedidas pelas prefeituras.

A política do governo Lula prevê um benefício fiscal para data centers que exclui complexos que utilizam torres de evaporação. Isso reforça a preocupação ambiental relacionada a essa tecnologia.

Como contrapartida pela instalação, a Microsoft se comprometeu com obras de infraestrutura, como duplicação de ruas e construção de vias marginais. A empresa também doou terrenos e firmou parcerias para oferecer cursos técnicos na área.

Cada unidade dos data centers tem uma capacidade instalada de 60 MW, somando 180 MW para os complexos de São Paulo. Isso equivale ao consumo de eletricidade de 1,8 milhão de brasileiros.

  • A Microsoft não divulgou detalhes sobre a localização ou projetos dos data centers.
  • A reportagem localizou os complexos em Hortolândia e Sumaré através de imagens de satélite e documentos públicos.
  • A empresa não comentou as informações quando procurada pela imprensa.

A instalação dos data centers da Microsoft em São Paulo ilustra o desafio de conciliar o avanço tecnológico com a sustentabilidade ambiental. A escolha por uma tecnologia de refrigeração de alto consumo hídrico, em um contexto de crescentes preocupações climáticas, exige um debate mais aprofundado sobre as escolhas de design e seus impactos a longo prazo.

É fundamental que a inovação em IA seja acompanhada por soluções que minimizem a pegada ecológica, garantindo que o progresso não comprometa recursos vitais como a água.

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