Modelo de Megafábricas é Inviável e Insustentável, Diz Especialista
A instalação de megafábricas de chips no Brasil é um erro com potenciais consequências ambientais e econômicas desastrosas, segundo Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP. Em entrevista ao podcast Deu Tilt, do UOL, Zuffo explicou que essas gigantescas unidades de produção demandam investimentos bilionários, consomem volumes exorbitantes de água e energia, além de gerarem resíduos tóxicos. Ele ressaltou que o modelo de megafábricas só se tornou viável em países asiáticos devido à aceitação de níveis de poluição considerados absurdos, algo que o Brasil não pode nem deve replicar.
A Proposta Inovadora: Pocket Fabs
Como alternativa, Zuffo apresentou o conceito das Pocket Fabs, microfábricas automatizadas e sustentáveis desenvolvidas pela USP. A proposta visa atender setores estratégicos nacionais sem o impacto ambiental negativo das megafábricas. Um dos pontos chave do projeto é a constatação de que o custo do wafer – a base para a fabricação de circuitos – não varia significativamente com o tamanho da fábrica. Assim, uma microfábrica com capacidade de produzir 20 wafers por dia poderia suprir a demanda de toda a indústria automotiva brasileira, garantindo soberania e resiliência.
Sustentabilidade e Tecnologia Brasileira em Foco
Zuffo destacou que o Brasil possui a tecnologia de ponta necessária para garantir a sustentabilidade das Pocket Fabs, citando exemplos como biofiltragem, hidrogênio verde e sistemas avançados de purificação de água. O objetivo é alcançar um modelo de produção com zero desperdício e zero emissão de carbono, utilizando os recursos e o conhecimento científico já existentes no país. O projeto já recebeu pareceres positivos de universidades renomadas como Stanford e Berkeley, indicando seu potencial inovador em escala global.
Soberania Tecnológica e o Futuro dos Chips
Para Zuffo, a soberania na indústria de semicondutores vai além da posse de matéria-prima; trata-se do domínio completo do processo produtivo, de ponta a ponta. Ele compara o desafio de criar uma fábrica de chips inédita no Brasil a lançar um foguete para Marte, dada a complexidade envolvida. No entanto, ele acredita que as Pocket Fabs são o caminho para garantir a inovação, a sustentabilidade e a independência tecnológica do Brasil no setor de chips, fundamental para a existência humana na era moderna.