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Uma descoberta revolucionária da Universidade de Oslo revelou o mistério de como os diamantes, formados nas profundezas do manto terrestre, conseguem chegar intactos à superfície. Erupções vulcânicas ultrarrápidas e explosivas, impulsionadas por um mecanismo químico específico, são as responsáveis por transportar essas preciosidades em uma jornada vertiginosa, impedindo que se transformem em grafite.

A Jornada Explosiva dos Diamantes

Publicado em setembro de 2025 na revista Geology, o estudo liderado pela cientista Ana Anzulović e sua equipe na Universidade de Oslo desvendou o mecanismo por trás desse processo raro. Eles utilizaram modelos avançados para compreender o magma kimberlítico, um material vulcânico com a capacidade de viajar a impressionantes 130 km/h, partindo de mais de 150 quilômetros de profundidade. É essa velocidade extrema que permite que os diamantes resistam à jornada sem se converterem em grafite, a forma estável do carbono em baixas pressões. Durante a ascensão, o magma arranca fragmentos de rochas (xenólitos) e cristais individuais (xenocristais), que funcionam como um ‘diário de bordo’ químico, revelando o caminho percorrido e ajudando a mapear o interior do planeta.

Onde e Como os Diamantes Nascem?

Os diamantes se formam em regiões profundas do manto terrestre, a mais de 150 quilômetros da crosta, sob condições de pressão e temperatura extremas. Nessas profundidades, os átomos de carbono se cristalizam para formar a gema mais dura conhecida. No entanto, para que esses cristais sobrevivam e cheguem até nós, o transporte precisa ser incrivelmente veloz. Os ‘tubos vulcânicos’ de kimberlito atuam como verdadeiros elevadores naturais, capturando as pedras no manto e impulsionando-as para cima antes que o calor as degrade em grafite, o carbono comum encontrado em lápis.

O Segredo da Ascensão Explosiva: CO2 e Água

A chave para a ascensão explosiva do magma kimberlítico reside na presença de compostos voláteis, como o dióxido de carbono (CO2) e a água. O CO2, sob altas pressões, desempenha uma função estrutural, mas ao se aproximar da crosta, ele se desprende do líquido em um processo conhecido como desgaseificação. Isso gera a pressão explosiva necessária para impulsionar a erupção para a superfície com força colossal. A água, por sua vez, aumenta a difusividade do fluido, mantendo o magma móvel e permitindo que ele deslize pelas fendas das rochas. A pesquisadora Ana Anzulović demonstrou que, por exemplo, o kimberlito de Jericó, no Canadá, exige pelo menos 8,2% de carbono para entrar em erupção. ‘Fiquei realmente surpresa ao descobrir que posso pegar um sistema tão pequeno e realmente observar: ‘Ok, se eu não colocar carbono, esse magma será mais denso que o cráton, então isso não irá erupcionar,’” afirmou Anzulović, destacando a relevância dos modelos químicos para processos de grande escala.

Por Que Tão Raras? Novas Perspectivas

A raridade dessas erupções vulcânicas de kimberlito se deve a uma combinação de fatores químicos e geológicos. O estudo de 2025 revela que, sem o dióxido de carbono, o magma se torna denso e permanece preso no manto, o que explica por que essas chaminés vulcânicas são escassas e localizadas em áreas continentais muito antigas. Além disso, o Dr. Tom Gernon, da Universidade de Southampton, aponta que as erupções seguem o ritmo de formação e quebra de supercontinentes, ocorrendo cerca de 30 milhões de anos após a separação continental. Essas descobertas não apenas aprofundam nossa compreensão da dinâmica terrestre, mas também oferecem novas ferramentas para a indústria de mineração. Ao indicar onde procurar depósitos de diamantes em continentes antigos, as pesquisas otimizam a exploração e tornam-na mais precisa. As próximas etapas da ciência, segundo Gernon, incluirão testar se outros vulcões seguem o padrão observado no Canadá, abrindo caminho para desvendar ainda mais mistérios do interior do nosso planeta.

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