Venezuela busca diálogo sobre Essequibo
A Venezuela propôs à Guiana um diálogo de “boa fé” para resolver a disputa pelo território do Essequibo, uma região estratégica rica em petróleo e recursos naturais. A oferta surge em meio a um novo cenário político no país e coincide com o 60º aniversário da assinatura do Acordo de Genebra de 1966, documento que Caracas considera a única base jurídica válida para uma solução pacífica.
Acordo de Genebra como pilar da negociação
Em comunicado oficial, o governo venezuelano destacou o Acordo de Genebra como o “único instrumento jurídico válido” para resolver a controvérsia territorial. Segundo Caracas, o acordo de 1966 superou a discussão sobre o Laudo Arbitral de 1899 e estabeleceu a obrigação mútua de encontrar um “ajuste prático e mutuamente aceitável”. A Venezuela alega ter cumprido suas obrigações ao longo das décadas, enquanto acusa a Guiana de violar o acordo desde 2015, buscando unilateralmente títulos territoriais através de uma demanda na Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Histórico da disputa e posição venezuelana
A controvérsia sobre o Essequibo, que abrange cerca de 160 mil quilômetros quadrados, remonta ao Laudo Arbitral de Paris de 1899, que concedeu a soberania à então Guiana Britânica. A Venezuela declarou o laudo nulo e buscou, através do Acordo de Genebra, uma solução negociada. No entanto, o governo venezuelano reitera que “jamais renunciará aos seus direitos e títulos históricos sobre a Guiana Essequiba”, reafirmando que a região “foi, é e será parte da integridade territorial da Venezuela”. A Guiana, por sua vez, recorreu à CIJ em 2018 para que o tribunal confirmasse a validade do laudo de 1899.