Você imaginaria que, após desafiar a imensidão do cosmos, o maior obstáculo seria… voltar para casa? Para a renomada astronauta Peggy Whitson, o regresso à Terra é, surpreendentemente, mais duro do que viajar para o espaço.
A bioquímica e vice-presidente da Axiom Space, com uma vasta experiência na NASA, partilhou esta perspetiva durante uma sessão na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa.
Whitson, a primeira mulher a comandar a Estação Espacial Internacional (ISS), destacou o papel crucial da fisiologia humana na recuperação e readaptação à gravidade após longos períodos em microgravidade.
O Desafio Inesperado da Gravidade
Peggy Whitson, que passou quase dois anos da sua vida no espaço em diversas missões, incluindo uma estadia de quase 300 dias consecutivos na ISS, admite que o retorno físico é o mais árduo.
No espaço, a microgravidade força o corpo e o cérebro a funcionarem de maneira diferente da habitual. Embora a ausência de peso seja inicialmente fascinante, ela impõe sérios desafios.
Astronautas treinam intensivamente na ISS para mitigar problemas como atrofia muscular e perda de massa óssea, que ocorrem rapidamente. A deterioração neuromotora também é uma preocupação constante.
No entanto, o verdadeiro teste começa quando se regressa ao planeta. Whitson brincou, dizendo que “a gravidade é uma porcaria”, realçando o impacto brutal que ela tem no corpo readaptando-se.
Impactos do Regresso à Terra
A astronauta detalha que os problemas são de curta e longa duração, pois a fisiologia do corpo muda drasticamente. O impacto do regresso à gravidade da Terra é sentido de forma mais acentuada em áreas específicas:
- O sistema neurovestibular, responsável pelo equilíbrio e orientação espacial.
- A coordenação motora, afetada pela necessidade de reajustar os movimentos a um ambiente com peso.
Estes desafios tornam as tarefas mais simples, como caminhar, incrivelmente difíceis nos primeiros dias ou semanas após o pouso.
A Importância dos Fisiologistas
Whitson sublinhou que o papel dos fisiologistas é absolutamente essencial neste processo. Eles desenvolvem protocolos para minimizar o impacto da transição.
Ela recordou que, na sua última missão da Axiom à ISS, de apenas 16 dias, em 2025, muitos protocolos foram alterados. O resultado foi um regresso muito mais fácil, demonstrando a eficácia da ciência aplicada.
Esta experiência ressalta que a exploração espacial não se resume apenas a ir e vir. A preparação e a recuperação fisiológica são componentes críticos para a saúde e segurança dos astronautas, tornando a ciência da motricidade humana um campo vital para o futuro da exploração.