A arte e a política frequentemente se cruzam, mas nem sempre de forma harmoniosa. Recentemente, alguns dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB) iniciaram uma batalha judicial contra a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC). O motivo? O suposto uso indevido de suas músicas em um curso online, gerando um processo que já movimenta o cenário jurídico e cultural.
Os artistas, entre eles Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan, buscam indenização de R$ 50 mil cada, apenas por danos morais. Eles alegam que a parlamentar obteve autorização para o uso das canções sob “falsas premissas”, omitindo as reais intenções ideológicas do material.
A Controvérsia: Obras da MPB em Curso Antifeminista
A disputa gira em torno do curso “Aula Espetáculo: MPB, HISTÓRIA E FEMINISMO, do Clube Antifeminista”, ministrado por Ana Campagnolo. Os requerentes afirmam que a finalidade ideológica do curso contraria a justificativa de “uso didático e lúdico” apresentada para obter as licenças.
A Acusação dos Artistas
Os cantores e compositores, conhecidos por suas posições ideológicas de esquerda, contrastam com a linha conservadora e antifeminista da deputada. A ação judicial aponta que a utilização das obras com uma finalidade ideológica fere a boa-fé objetiva e desrespeita os direitos morais de autor.
- Artistas e Obras Envolvidas:
- Chico Buarque e herdeiros de Augusto Boal: “Mulheres de Atenas”
- Gilberto Gil: “Super Homem: A Canção”
- Djavan: “Flor de Lis”
- Herdeiros de Mário Lago e Ataulfo Alves: “Ai que Saudades da Amélia”
A Defesa de Ana Campagnolo
Em oportunidades anteriores, Ana Campagnolo declarou ter agido de boa-fé, obtendo autorizações prévias das editoras para o uso das obras. Sua defesa argumenta que houve o devido licenciamento, embora os artistas questionem a legitimidade desse processo de obtenção.
Google e Meta como Réus: O Papel das Big Techs
Além da deputada e de sua empresa, a Livraria Campagnolo, o processo inclui como réus as gigantes de tecnologia Google e Meta. A inclusão se justifica pela veiculação do curso em suas plataformas, especificamente YouTube e Instagram.
Argumentos e Decisões Judiciais
As defesas das big techs solicitaram a exclusão da ação, alegando não serem responsáveis pelo conteúdo publicado por usuários. Contudo, a juíza Maria Izabel Gomes Santanna de Araujo, da 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital (TJRJ), negou este pedido.
Outro pedido negado foi o da defesa de Campagnolo para que os artistas prestassem depoimento, visando comprovar o abalo emocional. A magistrada considerou o pedido “protelatório”, afirmando que a prova documental já existente, incluindo e-mails e termos de autorização, é “amplamente suficiente”.
Próximos Passos do Processo
O processo, iniciado em 2022, encontra-se atualmente na fase final de instrução. Com as últimas decisões judiciais, o caso retorna para a juíza, que deverá proferir a decisão final em breve.
O Que Esperar Agora
A decisão final da juíza será crucial para definir os limites do uso de obras artísticas em contextos ideológicos e a responsabilidade das plataformas digitais. Este caso pode estabelecer um precedente importante para a proteção dos direitos autorais no ambiente digital e político brasileiro.
A reportagem buscou contato com a deputada, Google e Meta, mas não obteve retorno ou interesse em comentar o caso, mantendo o espaço aberto para futuras manifestações.




