Você sente cólicas incapacitantes, dor pélvica crônica ou durante a relação sexual, e alterações intestinais ou urinárias que pioram no período menstrual? Esses sintomas não devem ser normalizados e podem indicar um quadro de endometriose complexa, que exige atenção especializada. A doença, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, pode levar anos para ser diagnosticada e, em casos avançados, comprometer órgãos como o intestino, a bexiga e o ureter.
A Realidade da Endometriose no Brasil
O Ministério da Saúde aponta que o intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode chegar a sete anos. No sistema público, houve um aumento de 30% nos atendimentos relacionados à endometriose na Atenção Primária entre 2022 e 2024. Isso reforça a necessidade de maior conscientização e acesso ao diagnóstico, especialmente para casos de endometriose profunda.
Quando a Endometriose se Torna Mais Complexa?
Atingindo Múltiplos Órgãos
A endometriose profunda ocorre quando a doença ultrapassa a região ginecológica e compromete estruturas como o intestino, a bexiga e o ureter. Segundo a Dra. Anne Pereira, ginecologista, essa extensão da doença aumenta o risco de impacto na rotina, na fertilidade e na qualidade de vida da paciente.
Nesses quadros, o foco do tratamento vai além do alívio da dor. É crucial entender a extensão da doença, proteger a função dos órgãos afetados e planejar uma abordagem terapêutica individualizada e segura.
Desafios no Diagnóstico e Tratamento
A Importância do Mapeamento Detalhado
Identificar com precisão todos os focos da endometriose e removê-los de forma segura é um dos principais desafios. Em casos complexos, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos que envolvem:
- Ressecções intestinais segmentares
- Reconstruções do trato urinário
A Dra. Anne Pereira enfatiza que o tratamento deve ser completo e cuidadoso. Cirurgias em casos com múltiplos órgãos envolvidos podem exigir diferentes estratégias no mesmo procedimento, tornando a experiência da equipe e a estrutura hospitalar determinantes para reduzir riscos.
Planejamento Pré-Operatório Essencial
Exames de imagem de alta qualidade são fundamentais para o planejamento. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve ajudam a mapear a doença e orientar a estratégia cirúrgica.
O acompanhamento frequentemente envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo:
- Ginecologistas
- Cirurgiões do aparelho digestivo
- Urologistas
- Radiologistas
- Especialistas em manejo da dor
- Profissionais de reprodução humana
Preservação da Fertilidade e Planejamento de Vida
Para mulheres que desejam engravidar, a preservação da fertilidade é uma consideração importante. A decisão deve levar em conta a idade, reserva ovariana, extensão da doença e planos reprodutivos.
Técnicas como o congelamento de óvulos podem ser indicadas antes da cirurgia. Em alguns casos, a própria cirurgia, quando bem planejada, pode melhorar as chances reprodutivas.
O tratamento da endometriose deve considerar os planos de vida e o desejo reprodutivo da paciente, além do impacto dos sintomas em sua rotina.
O Papel dos Hospitais de Alta Complexidade
Hospitais com infraestrutura e tecnologia diagnóstica avançadas, e equipes integradas, oferecem um cuidado mais completo. A atuação coordenada de múltiplas especialidades garante maior previsibilidade, resposta rápida a intercorrências e um acompanhamento pós-operatório mais eficaz.
Mensagem Principal: Não Normalize a Dor
No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose (7 de maio), a mensagem é clara: dor não é normal. Cólicas incapacitantes, dor durante o sexo e sintomas intestinais ou urinários associados ao ciclo menstrual precisam ser investigados.
Informação, escuta qualificada, diagnóstico precoce e acesso a centros especializados são cruciais para reduzir o tempo até a confirmação da doença e garantir o melhor cuidado possível.
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