Vinte anos atrás, não ter tempo de TV na eleição era uma sentença de morte política. Hoje, é quase um empurrão estratégico para a era digital. O cenário eleitoral brasileiro mudou drasticamente, e o Feed é o novo horário eleitoral, redefinindo a forma como as campanhas buscam votos.
A distribuição de tempo de TV e rádio para a propaganda eleitoral ainda existe, com Lula e Flávio Bolsonaro tendo os maiores blocos. Lula pode ter 5 minutos e 32 segundos, e Flávio Bolsonaro, 4 minutos e 20.
Ronaldo Caiado conta com 2 minutos e 11 segundos, enquanto Augusto Cury terá 36 segundos. No entanto, candidatos como Romeu Zema e Renan Santos, que pontuam de forma relevante nas pesquisas, vão disputar o Planalto sem presença no horário eleitoral gratuito.
A Queda do Gigante da TV: O Exemplo de 2018
As últimas eleições já mostravam uma clara mudança no valor do tempo de mídia. Em 2018, os sinais eram evidentes de que a moeda da atenção política tinha mudado de lastro.
Geraldo Alckmin montou uma aliança de nove partidos para abocanhar quase metade do horário eleitoral. Contudo, ele terminou o primeiro turno com menos de 5% dos votos, um resultado que chocou muitos analistas.
Em contraste, Jair Bolsonaro, com seus escassos 8 segundos de TV, conseguiu chegar ao segundo turno e vencer a eleição. Esse feito demonstrou que a presença massiva na televisão já não garantia o sucesso nas urnas.
Por Que a Mídia Tradicional Perdeu Força?
O eleitor não está mais apenas sintonizado nas TVs. A atenção migrou para outros canais, mais interativos e personalizados. As campanhas precisaram se adaptar rapidamente a essa nova dinâmica.
- A campanha que circulava no WhatsApp ganhou um poder de disseminação sem precedentes.
- O YouTube se tornou uma plataforma crucial para vídeos longos e debates.
- As lives permitiram um contato direto e em tempo real com os eleitores.
- As redes sociais, com seus feeds personalizados, passaram a ser o principal palco.
O Poder do Digital: A Estratégia da Nova Eleição
Para candidatos com pouco ou nenhum tempo de TV, a campanha se tornou, por essência, um empreendimento digital. A ausência na mídia tradicional não é mais um impedimento, mas um catalisador para a inovação.
A estratégia agora foca em criar conteúdo engajador, viralizar mensagens e construir comunidades online. É um trabalho constante de atração e retenção da atenção do eleitor em múltiplos canais digitais.
Como as Campanhas Se Adaptam?
A nova era eleitoral exige uma abordagem diferente e mais ágil. O investimento em plataformas digitais e em conteúdo online se tornou primordial.
- Criação de Conteúdo Relevante: Produção constante de vídeos, posts e mensagens para as redes.
- Engajamento Direto: Interação com eleitores através de comentários, mensagens e lives.
- Segmentação de Público: Alcance de nichos específicos com mensagens personalizadas.
- Análise de Dados: Monitoramento de métricas para otimizar estratégias em tempo real.
A lição é clara: a campanha que circula no WhatsApp, no YouTube e nas lives vale muito mais do que a que passa às 20h30 entre a novela e o jornal. As próximas eleições serão, sem dúvida, as mais digitais da história do Brasil, com o feed como seu principal campo de batalha.