A ascensão da inteligência artificial (IA) tem gerado tanto entusiasmo quanto preocupação sobre seu impacto no mundo do trabalho. Contudo, para o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert Houngbo, os lucros da IA devem beneficiar os trabalhadores, e não apenas ampliar as fortunas de poucos.
Ele enfatiza que o futuro não será determinado apenas pela tecnologia, mas sim pelas políticas, instituições e pelo diálogo social que a orientam. As decisões tomadas hoje são cruciais para definir se a IA se tornará uma ferramenta de prosperidade compartilhada ou de aprofundamento da desigualdade.
IA e o Mercado de Trabalho: Uma Escolha Social
Apesar do frenesi em torno da IA, a maioria das instituições econômicas, incluindo o Banco Central Europeu, indica que a tecnologia teve, até o momento, apenas efeitos menores sobre o emprego. No entanto, o potencial de transformação é imenso.
Houngbo destaca que estamos diante de uma “eleição social e política” sobre o tipo de futuro que desejamos construir. A IA pode ampliar oportunidades ou, sem a devida governança, agravar a insegurança e a desigualdade.
Como Garantir Benefícios Compartilhados da IA?
Para assegurar que a IA seja uma força para o bem-estar social, a OIT aponta para um conjunto de ações estratégicas. Estas medidas visam proteger os trabalhadores e promover um desenvolvimento tecnológico inclusivo.
- Investir em competências: Preparar a força de trabalho para as novas demandas e oportunidades criadas pela IA.
- Reforçar a proteção trabalhista e social: Adequar as legislações para garantir direitos e segurança em um cenário de trabalho em constante mudança.
- Apoiar micro, pequenas e médias empresas (MPMEs): Capacitá-las para integrar a IA de forma sustentável, evitando que fiquem para trás.
- Respeitar princípios e direitos fundamentais no trabalho: Assegurar que os avanços tecnológicos não violem as bases dos direitos humanos e trabalhistas.
O Papel da OIT na Era da IA e das Plataformas Digitais
A OIT, com sua estrutura única que representa governos, empregadores e trabalhadores de seus 187 Estados-membros, é o fórum ideal para esses debates. Atualmente, seus representantes estão reunidos em Genebra para discutir o futuro do trabalho.
Um dos pontos centrais da agenda é a conclusão das negociações sobre um novo tratado internacional para os trabalhadores de plataformas digitais. Este é visto como um passo fundamental para adaptar as proteções trabalhistas às novas realidades.
Desafios e Soluções para Trabalhadores de Plataforma
Os trabalhadores de plataformas digitais enfrentam um desafio significativo: muitas vezes são classificados como contratados independentes, mesmo quando as plataformas controlam tarefas e remuneração. Essa classificação permite contornar obrigações essenciais.
Segundo a Human Rights Watch, essa prática impede o acesso a direitos básicos como salário mínimo, segurança no local de trabalho e seguridade social. O tratado da OIT busca fechar essas “brechas em matéria de proteção e inovação”, garantindo que a inovação tecnológica não venha à custa dos direitos dos trabalhadores.
Em suma, a mensagem de Houngbo é clara: a IA tem o potencial de transformar positivamente a sociedade, mas seu curso dependerá das escolhas políticas e sociais que fizermos hoje para garantir que todos se beneficiem de seus lucros.