Em um mundo onde a saúde mental ainda enfrenta estigmas, a capacidade de compreender e gerenciar nossas emoções é fundamental. Mas o que acontece quando o sofrimento emocional é um legado de gerações?
A psicóloga Ana Claudia, impulsionada por um profundo histórico familiar de lutas contra transtornos mentais, criou a IA de apoio emocional EITA. Sua missão é oferecer uma ferramenta acessível para o autoconhecimento e a regulação emocional.
A Origem da EITA: Dor e Resiliência
A história de Ana Claudia é profundamente conectada a um passado familiar complexo. Ela relata episódios de tentativas de suicídio, mortes e internações psiquiátricas envolvendo avós, bisavós, tataravós e tias.
Essas memórias incluem a luta de uma familiar com transtorno bipolar que não recebia tratamento adequado, revelando um período de silêncio e incompreensão. Tal cenário alimentou em Ana Claudia o receio de reviver as mesmas situações.
Um Legado de Silêncio e Incompreensão
A dificuldade de falar sobre doenças emocionais era um tabu, o que dificultava diagnósticos e tratamentos eficazes. O pai de Ana Claudia, por exemplo, não compreendia a depressão da mãe, sentindo-se impotente.
Essa realidade de sofrimento levou Ana Claudia a buscar ajuda na adolescência, após um momento de crise. “Eu pensei que agora vou ficar é viva”, relembra ela, marcando o início de sua jornada de cuidado pessoal.
A Busca Pessoal por Conhecimento
A psicoterapia tornou-se um pilar em sua vida, com Ana Claudia permanecendo com a mesma psicóloga por cerca de 20 anos. Essa experiência, somada à sua formação em psicologia e neurociência, foi crucial.
A pergunta que a acompanhava era: como reconhecer e lidar com as próprias reações? Essa busca pessoal resultou em um método que, inicialmente, foi criado para sua “sobrevivência”, e não para comercialização.
EITA: Inteligência Artificial para a Reflexão
Em 2024, a ideia de transformar o método de Ana Claudia em uma Inteligência Artificial para apoio emocional começou a ser desenvolvida. Junto com o cofundador Clésio Souza, a EITA foi projetada para conversas estruturadas sobre emoções.
Diferente de IAs generalistas, a EITA tem como foco guiar o usuário a perceber o que sente, examinar suas interpretações e considerar alternativas antes de agir impulsivamente. “Não é terapia com IA”, ressalta Souza.
O Método EITA em Ação
A EITA opera através de um método que estimula a reflexão profunda, ajudando o usuário a navegar por suas emoções. Os pilares do método são claros:
- Perceber: Identificar e nomear o que se está sentindo.
- Examinar: Analisar a interpretação da situação e suas causas.
- Agir: Considerar diferentes ações e suas possíveis consequências.
Como a IA Funciona na Prática
Disponível 24 horas por dia, a EITA permite que o usuário envie mensagens de texto ou áudios sobre suas experiências, como discussões familiares ou estresse no trabalho. A IA responde, fazendo perguntas para explorar a situação.
Em vez de oferecer soluções prontas, a ferramenta acolhe o relato e estimula a pessoa a refletir sobre o que a incomoda, suas reações e as ações que estão ao seu alcance. O objetivo é promover a autonomia emocional.
Diferenciais e Limitações da EITA
Os criadores da EITA enfatizam que a ferramenta é um suporte para reflexão em situações cotidianas, e não um substituto para a terapia. Seu propósito é a prevenção de reações impulsivas e o reconhecimento de padrões emocionais.
A distinção principal da EITA está em ser configurada para aplicar o método de Ana Claudia especificamente ao diálogo sobre emoções, utilizando o histórico das interações para dar continuidade às conversas.
Não é Terapia, é Ferramenta de Reflexão
É crucial entender que a EITA não faz diagnósticos, não prescreve tratamentos e não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental. A empresa destaca seus mecanismos:
- Identificação de riscos: A ferramenta orienta a busca por ajuda profissional em situações de perigo.
- Desestímulo à dependência: Incentiva o contato com pessoas próximas e restringe o uso excessivo quando necessário.
- Foco na reflexão: Promove a ponderação antes de decisões impulsivas, ajudando a reconsiderar ações.
Testes práticos demonstraram a eficácia da EITA em estimular a reflexão. Por exemplo, ao invés de uma decisão imediata sobre mudar de emprego, a IA sugeriu um plano gradual, como atualizar o currículo e buscar vagas, enquanto avaliava o impacto do trabalho na saúde.
A EITA representa um avanço no suporte à saúde mental, oferecendo um espaço seguro para a reflexão emocional. Sua criação, enraizada na superação de um legado familiar complexo, evidencia o poder da experiência pessoal na construção de soluções acessíveis e inovadoras.
Ao estimular o autoconhecimento e a autonomia, a IA de apoio emocional de Ana Claudia busca capacitar indivíduos a lidar melhor com seus sentimentos, promovendo uma vida mais equilibrada e consciente no dia a dia.





