Você já se perguntou como milhares de voos se movem nos céus brasileiros sem colisões ou grandes atrasos? Por trás dessa orquestra complexa, existe uma tecnologia brasileira de ponta, desenvolvida para garantir a segurança e a fluidez do tráfego aéreo nacional e internacional.
A Atech, empresa do grupo Embraer, é a protagonista dessa inovação, criando sistemas essenciais que dão suporte à Força Aérea Brasileira (FAB) na gestão do espaço aéreo. Entenda como essa tecnologia funciona e sua importância.
Como o Tráfego Aéreo Brasileiro é Organizado?
A Estrutura de Controle
No Brasil, a responsabilidade pelo controle do espaço aéreo é da Força Aérea Brasileira (FAB), através do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
A Atech se destaca ao desenvolver sistemas e softwares cruciais, usados em diversas fases da coordenação, desde o planejamento até o voo de cruzeiro.
Para organizar o movimento das aeronaves, o tráfego é dividido entre unidades especializadas, que trabalham de forma integrada para transferir o acompanhamento do voo.
- Torre de Controle: Coordena movimentos no aeroporto, incluindo solo, decolagens e pousos.
- Controle de Aproximação (APP): Gerencia o tráfego próximo aos aeroportos e em áreas terminais, como a da capital paulista.
- Centro de Controle de Área (ACC): Acompanha o voo de cruzeiro, cobrindo extensas regiões do espaço aéreo.
Sigma e Sagitário: A Tecnologia Brasileira em Ação
Planejamento de Voo com o Sigma
O Sigma é um sistema fundamental que reúne funções de planos de voo e gestão de fluxo aéreo, atuando de forma estratégica para equilibrar a demanda de voos com a capacidade do sistema.
Um plano de voo é um documento eletrônico que informa aos sistemas de navegação aérea os detalhes de uma operação, permitindo seu planejamento e coordenação prévios.
A Atech também desenvolveu o FPL-BR, uma interface que permite a pilotos e companhias aéreas enviar planos de voo eletronicamente, modernizando o processo que antes dependia de ligações ou formulários presenciais.
O Sigma processa esses dados para prever congestionamentos e otimizar a operação, distribuindo os chamados slots (horários de pouso e decolagem) para reduzir atrasos e aumentar a eficiência.
Acompanhamento em Tempo Real com o Sagitário
Enquanto o Sigma planeja, o Sagitário atua na rotina dos APPs e ACCs, integrando informações cruciais para os controladores em tempo real.
O sistema combina dados de vigilância, planos de voo e informações meteorológicas, exibindo a posição das aeronaves e a evolução dos voos em suas áreas de responsabilidade.
Isso permite que os controladores mantenham a separação segura entre as aeronaves e coordenem o fluxo, recebendo alertas sobre condições adversas como tempo severo.
É crucial entender que os sistemas da Atech são ferramentas de apoio. A decisão final e a responsabilidade pelo controle do tráfego aéreo permanecem com os controladores humanos, que usam essas tecnologias para garantir a segurança.
A Origem e Expansão Global da Atech
Nascida da Necessidade Nacional
A história da Atech está intrinsecamente ligada à busca da FAB por maior domínio tecnológico no controle aéreo, iniciando nos anos 1970 com sistemas estrangeiros.
A dificuldade em fazer alterações e atualizações levou a FAB a investir na formação de profissionais e no desenvolvimento de tecnologia nacional, criando uma base de conhecimento.
A Atech foi fundada em 1997, a partir de uma equipe de engenheiros que já trabalhava com sistemas de controle aéreo e o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
Em 2011, a Atech passou a integrar o grupo Embraer, consolidando sua capacidade e mantendo sua autonomia operacional como subsidiária.
Do Brasil para o Mundo
A experiência acumulada no Brasil abriu portas para a exportação. A Atech hoje atua em outros seis países, incluindo Paraguai, Venezuela, Índia e África do Sul.
Os sistemas são adaptados às necessidades de cada país, mostrando a flexibilidade da solução brasileira em diferentes contextos operacionais de gestão de fluxo de tráfego aéreo.
Exportar essas soluções vai além de vender software; é demonstrar a capacidade do Brasil de fornecer tecnologias críticas que garantem a segurança e eficiência do espaço aéreo global.
Essa expansão global não só fortalece a imagem tecnológica do país, mas também contribui com a economia e geração de divisas para o Brasil, como destaca Marcos Resende, vice-presidente de negócios ATM da Atech.
A tecnologia brasileira da Atech é um exemplo notável de inovação e competência, garantindo que nossos céus sejam não apenas movimentados, mas principalmente seguros e eficientes.
Seus sistemas Sigma e Sagitário são pilares na organização do tráfego aéreo, provando que o Brasil tem um papel fundamental na vanguarda da gestão do espaço aéreo mundial, com soluções que se expandem para além das nossas fronteiras.





